Casos secundários atrapalham atendimento de emergências
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 04 de junho de 1997
Lucinéia Parra Maringá 
O Corpo de Bombeiros de Maringá está enfrentando dificuldades para atender às ocorrências emergenciais por causa das chamadas de ambulâncias para casos clínicos. Em muitos casos, a população quer ambulância até mesmo para atender bêbados caídos nas calçadas. Este tipo de atendimento acaba atrapalhando ou atrasando o deslocamento das ambulâncias para uma ocorrência de real emergência.
De acordo com o tenente Gilberto Gavloske, a população que solicita indiscriminadamente ambulância do Corpo de Bombeiros já adquiriu certas táticas. Geralmente as pessoas alteram o quadro clínico do paciente. O solicitante da ambulância, diz por exemplo, que a pessoa está tendo um ataque cardíaco, quando na verdade ela está apenas com um mal estar, argumenta.
Segundo Gavloske, os casos mais comuns de atendimentos não emergenciais são para socorrer pessoas com ataque epiléptico, bêbados e gestantes. Ele explica que o atendimento a uma pessoa com ataque epiléptico não é de emergência, mas é muito comum a solicitação da ambulância do CB.
Outro tipo de ocorrência é para atendimento a gestantes. Nestes casos, garante o tenente, já houve exemplos do solicitante afirmar que a gestante estaria em estado de parto. Ao chegar a ambulância, verificou-se que a gestante estava com dores e desejava consultar com o médico. Em média, o Corpo de Bombeiros recebe 250 chamadas por mês para deslocamento de ambulâncias. Deste total, cerca de 10% poderiam ser evitadas.
Diante do número elevado de chamadas que não são urgentes, o Corpo de Bombeiros enfrenta dificuldade em identificar os casos que realmente é necessário deslocar a ambulância. Em Maringá, os horários críticos para o Corpo de Bombeiros são das 6h30 às 8 horas, 12 horas e das 17h30 às 19h30.
Na Central de Ambulâncias, o problema é o mesmo. De acordo com o encarregado do setor de transporte Milton Félis da Silva, é comum a solicitação de ambulâncias para levar pacientes com dores de cabeça, diarréia ou dores nas costas a postos de saúde. Ele afirma que 35% das ocorrências não são emergência. Atualmente, a central tem seis ambulâncias que atendem 24 horas por dia.


