A histórica lentidão da Justiça brasileira é grave na área criminal, consequência não só do grande volume de trabalho dos juízes e promotores, mas também das infinitas possibilidades de recursos e adiamento dos julgamentos à disposição dos advogados de defesa - sobretudo quando eles são competentes e bem pagos pelos seus clientes da classe alta.
Nas cinco varas criminais do Fórum de Londrina estão em andamento cerca de 4.500 processos, dos quais aproximadamente 70 são por homicídios. Todos esses responsáveis por infrações às vezes violentas - assassinatos, sequestros, estupros, agressões físicas, assaltos à mão armada, arrombamentos - aguardam por julgamento em liberdade. Prosseguem pelas ruas da Cidade e, teoricamente, podem reincidir em crimes e colocar em risco outras vítimas.
Na maioria dos processos, o suspeito ou até mesmo réu confesso não vai a julgamento porque a polícia não consegue recolher, contra eles, provas concretas de que foram os autores dos crimes. Juízes e promotores das varas criminais reclamam do grande número de inquéritos policiais que chegam às suas mãos incompletos, inclusive sem laudos do Instituto Médico Legal e da Polícia Técnica. Os juízes afirmam que essa ida e vinda dos inquéritos - Delegacia, Fórum, Delegacia, Fórum - é um dos principais motivos para a morosidade da Justiça e para a impunidade dos culpados.
Vários casos de crimes violentos, e de maior repercussão, estão há anos à espera de julgamento definitivo em Londrina. Na maioria, eles envolvem pessoas de famílias ricas que estão em liberdade, o que contribui para reforçar aquela imagem de que a Justiça no Brasil só funciona com rapidez e rigor quando o suspeito de delito pertence às classes sociais mais humildes.
Três deles são os do empresário Marcos Campina Panissa, o da família Pepiliasco e o do médico José Carlos da Costa. Panissa é réu confesso e responde pelo assassinato da ex-esposa, Fernanda Estrusani, em agosto de 1989, com 72 facadas. Ele está foragido. A família de Lauro e Wanda Pepiliasco é suspeita pela morte da empregada doméstica Cleonice de Fátima Rosa. Ela foi degolada, em julho de 1993, no apartamento de seus patrões. O médico endocrinologista José da Costa confessou ter matado, com cinco tiros de revólver, no dia 9 de abril de 1993, o escrivão da Polícia Federal Sérgio Ferreira da Silva, depois de uma discussão no trânsito.
(Osmani Costa)

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