O ano de 1998 foi marcado por uma série de denúncias e escândalos envolvendo órgãos públicos de Londrina. Às portas de 1999, o que se vê são casos não resolvidos ou processos se arrastando na Justiça. Alguns caíram noesquecimento. E o que é pior: muitos dos escândalos investigados em 98, e que até agora encontram-se sem solução, foram herdados do ano anterior.
De todas as polêmicas, pelo menos quatro se destacaram: o ‘‘escândalo da Comurb’’, em que 212 funcionários foram contratados sem concurso público ou teste seletivo; o desvio das taxas de embarque do Terminal Rodoviário, causando prejuízo de mais de R$ 100 mil; o ‘‘escândalo do leite’’, como ficou conhecida a suposta tentativa de extorsão contra empresas produtoras de leite de Londrina e Arapongas; e o caso dos livros permutados pela Biblioteca Pública de Londrina - livros doados à instituição que foram encontrados sendo comercializados na cidade.
O caso dos livros permutados é singular. Há um ano, aproximadamente, foi formada uma comissão de sindicância para esclarecer o problema. Somente com o resultado deste trabalho, o Ministério Público - através da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público - poderia tomar qualquer providência. A sindicância foi concluída há mais de um mês e o relatório protocolado na Secretaria de Governo da prefeitura. Quem protocolou foi Paulo César Tiene, advogado da Acesf e presidente da comissão.
Até o último dia 18, sexta-feira, no entanto, o secretário Gino Azzolini informou que não tinha recebido o trabalho. ‘‘Na minha secretaria não chegou’’, disse, acrescentando que o relatório da sindicância poderia ter sido encaminhado para a Secretaria de Cultura ou Procuradoria-Geral. Ângela Marçal, secretária da Cultura, informou no mesmo dia que nada sabia sobre o resultado da sindicância. Foi a mesma resposta dada por Eduardo Duarte Ferreira, secretário de Negócios Jurídicos, através da assessoria.
Azzolini não foi encontrado até a última quarta-feira, dia 22, para informar se o relatório da sindicância tinha finalmente aparecido. Sem conhecer o resultado do trabalho, o promotor Bruno Galatti disse que não pode fazer nada. ‘‘Dependo dessa conclusão para poder tomar alguma decisão.’
A polêmica das permutas começou no final de 1997, quando o professor de História Carlos Yohio Okawati denunciou que livros doados à Biblioteca Pública estavam sendo comercializados em sebos da cidade. Ele mesmo havia feito a doação de mais de três mil volumes e ficou indignado ao descobrir alguns deles no mercado. Também parte do acerto do arquiteto Luis César da Silva, que havia sido doado por sua viúva, a jornalista Ana Marta Garcia da Silva, há menos de um ano, foi encontrado sendo comercializada.
O promotor Bruno Galatti, da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, apurou que livrarias estavam fazendo permuta (troca de livros) com a biblioteca e pediu à administração municipal que abrisse uma sindicância interna para averiguar se havia ou não irregularidade. Foi formada uma comissão, presidida pelo advogado Paulo César Tiene, que só conseguiu terminar os trabalhos há um mês - aproximadamente oito meses depois do trabalho ser iniciado.
‘‘Demorou porque era muito material para levantar e o acervo da biblioteca não é informatizado,’’ justificou. Ele informou que do trabalho resultaram aproximadamente 12 volumes, com mais de 1,5 mil páginas com depoimentos dos envolvidos, relatórios e outras informações. O advogado garantiu que encaminhou e protocolou o trabalho na Secretaria de Governo da prefeitura e não quis informar o resultado. ‘‘Cabe à prefeitura a divulgação do resultada da sindicância para dar sequência ao processo’’, disse ele.

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