Casos novos representam 35% dos atendimentos
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quinta-feira, 31 de março de 2016
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Muitas pessoas que perderam empregos recentemente em outras cidades têm buscado em Londrina uma oportunidade de fugir da crise. Segundo informações da coordenação do Centro de Referência Especializado para População de Rua (Centro POP), nos últimos meses, o local tem sido procurado por trabalhadores de fora.
"Cerca de 35% dos nossos atendimentos têm sido de casos novos (que nunca passaram pelo serviço), mas temos aqueles que são de fora e estão permanecendo no município, que não separamos os dados e consideramos como sendo do município", destacou a coordenadora Mariluci Queiroz dos Santos. O Centro POP atende cerca de 65 pessoas diariamente.
Mariluci confirma que a crise tem influenciado na movimentação do Centro POP. "Normalmente atendemos pessoas em situação de rua que já receberam acolhimento em outro município e tiveram passagem paga pela assistência social de outra cidade, mas nos primeiros meses de 2016 voltamos a receber pessoas com perfil semelhante a da época em que houve a construção de shoppings e prédios. Pessoas que estavam com carteira assinada recentemente", relatou. "Em um só dia chegamos a receber sete pessoas com esse perfil só para procurar um lugar provisório até conseguir emprego."
Entre os casos novos está o do pedreiro alagoano de 28 anos. A primeira parada dele foi na capital paulista, no Albergue Arsenal de Esperança. Sem conseguir emprego em São Paulo, resolveu vir para Londrina, por indicação do próprio pessoal do Alberque. Segundo o pedreiro, a informação é de aqui poderia obter um emprego e que o atendimento social oferecido na cidade é bom.
Um motorista de 46 anos está há mais de um ano sem emprego e relata que tem procurado trabalho em várias cidades, mas sem sucesso. Natural de São Paulo, capital, relatou que ao chegar em Paranavaí (Noroeste) em busca de emprego, seu dinheiro acabou. "A assistência social de lá me pagou uma passagem até Apucarana. De lá peguei uma carona até Cambé e depois consegui outra carona para vir a Londrina", relatou.
O motorista ressaltou que trabalhou em várias transportadoras em São Paulo, mas em função da crise foi dispensado do trabalho e não conseguiu mais emprego. "Eu até consigo fazer um bico em um lugar ou outro, mas são vagas que pagam pouco", afirmou.
Já o também motorista de 57 anos quer uma oportunidade, já que perdeu tudo depois de uma separação difícil. Ele veio de Curitiba a Londrina e relata que procurou a cidade para ficar longe da ex-esposa. Ele tem trabalhado como boia-fria em várias cidades do País, conforme o calendário de colheitas.
A coordenadora do Centro POP afirma que não tem como acolher pessoas com esse perfil. "Eles vêm em busca do Centro POP e solicitam local para ficar, mas a gente não tem como fazer acolhimento", afirma. Ela conta que no Centro POP não há um trabalho direcionado para isso. "Nós temos parceria com o Sine, que informam a quantidade de vagas, mas trabalhamos mais com pessoas que possuem uma característica diferente, que procura o serviço recorrentemente e não têm vinculo familiar próximo e possui vulnerabilidade social. Muitos fazem uso de substância psicoativa", explica.
Mariluci conta que são insuficientes as 166 vagas de acolhimento oferecidas em Londrina. "Entre 10 a 12 pessoas por dia que chegam aqui (no Centro Pop) não conseguem acolhimento nos abrigos", aponta.


