Apenas no primeiro semestre deste ano foram registrados 105 casos de suicídio em 34 cidades do Paraná. Destes, 53 aconteceram em Curitiba. O número representa 70% do total de casos registrados em todo o ano passado (152). Se continuar neste ritmo, o número de suicídios nestes municípios poderá ser 40% maior que em 1997.
Segundo estatísticas do Instituto Médico Legal (IML), 84 vítimas eram homens, 19 deles com idades entre 18 e 30 anos. Quatro eram adolescentes, com idades entre 13 e 17 anos. Das 21 mulheres que se mataram em Curitiba no primeiro semestre, seis eram adolescentes, com idades entre 13 e 17 anos. Somente no último fim de semana foram registrados dois suicídios na capital.
Segundo o professor de Psicanálise na Adolescência da Universidade Federal do Paraná, Victor Eduardo Silva Bento - doutor em Psicopatologia Fundamental e Psicanálise - caraterísticas biológicas e psicossociais podem contribuir para que uma pessoa chegue a se matar. Segundo ele, pessoas com características biológicas fortes e casos de suicídio na família podem ter tendência a se matar quando não têm modelos familiares e sociais que as ensinem a externar seus sentimentos negativos. ‘‘A incapacidade de traduzir experiências negativas pode se transformar em carga hostil. Essa carga pode se transformar em violência contra a própria pessoa ou contra os outros’’, explica.
Na adolescência, de acordo com Silva Bento, as transformações são um fator agravante. ‘‘As transformações implicam em perdas e, quando se perde alguma coisa, a tendência é ficar agressivo ou deprimido.’’ É difícil, entretanto, diagnosticar se uma maior agressividade na adolescência pode estar relacionada ao suicídio.
Auxílio - O principal objetivo do CVV (Programa de Valorização da Vida) é prevenir os suicídios. O serviço, que conta com 60 atendentes voluntários em Curitiba, recebe cerca de mil ligações por mês. ‘‘Nem todas as pessoas que telefonam pensam em se matar, mas estamos preparados para contornar situações deste tipo’’, revela uma atendente. A identidade do usuário, que não precisa de identificar, é mantida em sigilo de qualquer forma. Os atendentes ouvem todos com atenção, paciência e respeito, mas nunca dão conselhos. ‘‘O suicídio pode ser um gesto de momento’’, diz. ‘‘Quando a pessoa percebe que alguém teve paciência para escutá-la e para entender seus sentimentos, ela se sente mais segura.’’ O CVV atende 24 horas por dia pelo telefone (041) 342-4111. A ligação é gratuita.Marcelo AlmeidaSolidariedadeO CVV se dedica justamente a prevenir os suicídios. Com 60 atendentes voluntários, recebe cerca de mil ligações por mêsNos primeiros seis meses deste ano, já foram registradas 105 mortes deste tipo, 70% de todos os casos do ano passado
Segundo especialista,
caraterísticas físicas
e psicossociais
contribuem ao suicídio

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