Casos de rotavirose aumentam no inverno
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quinta-feira, 22 de junho de 2006
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Junto com as doenças respiratórias, o clima frio e seco já trouxe outra ameaça à saúde pública: a rotavirose. O nome vem sendo assimilado aos poucos pela população, mas os sintomas diarréia e vômito são os principais já são bem conhecidos. A doença atinge com maior frequência e gravidade crianças com idade abaixo de cinco anos, mas adultos também são suscetíveis. Se não for tratada, pode até matar.
No Pronto Atendimento Infantil (PAI), em Londrina, o número de atendimentos subiu de 7,6 mil em abril para 8 mil no mês passado. A pediatra Gláucia Valéria Fittipaldi estima que 60% dos casos responsáveis pelo aumento da procura na unidade sejam de doenças respiratórias e o restante de enteroviroses (viroses intestinais). Dentre estes 40%, disse Gláucia, a maior parte seria causada pelo rotavirus.
Ainda não é o suficiente para caracterizar um surto de rotavirose na cidade, de acordo com a gerente de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde, Josemari de Arruda Campos. Mas como a proliferação ocorre com facilidade, os cuidados devem ser redobrados. Josemari lembrou que em 2002, ano no qual Londrina teve o ápice da doença, pelo menos 10 mil casos podem ter ocorrido. ''Não temos estatísticas oficiais porque a rotavirose é grandemente subnotificada'', afirmou.
A dona-de-casa Valdete dos Santos, 41 anos, levou as filhas gêmeas para o PAI com suspeita de rotavirose. As meninas de apenas oito meses apresentaram vômito, diarréia e febre. ''Uma delas já estava tomando leite de vaca, mas agora até parou, só aguenta o leite materno. Já ouvi falar em rotavirose e acho que pode ser isso, mas não conheço bem a doença'', comentou.
Falta de cuidados com a higiene favorecem a contaminação, uma vez que a forma principal é a via fecal-oral. ''A mãe vai trocar a fralda do bebê, entra em contato com fezes contaminadas com o vírus, não lava a mão direito, vai dar comida para o outro filho, e assim a doença vai se espalhando com rapidez'', alertou Josemari. A gerente explicou que o rotavírus adere à mucosa da primeira porção do intestino, onde ocorre a absorção dos alimentos, e destrói as células. Como as que vem logo abaixo não têm a mesma capacidade de absorção, o doente não digere os alimentos corretamente. O leite, principalmente o de vaca, se torna o pior inimigo nesse período.
O tratamento é simples e deve começar o quanto antes. Os sais de reidratação oral, distribuídos gratuitamente nos postos de saúde, são os mais recomendados. Mas, segundo Josemari, o velho soro caseiro (200 ml de água filtrada ou fervida, uma colher de cafezinho rasa de sal e uma colher de chá cheia de açúcar) também pode ser usado. Medicamentos para cortar a diarréia não devem ser utilizados. O paciente pode receber remédios contra vômito e febre, mas somente sob orientação médica.
Uma vez tratada, a recuperação plena acontece, em geral, de cinco a sete dias após o início do processo. Josemari cita os alimentos que podem ser ingeridos enquanto a debilidade persistir: arroz branco, batatinha cozida, carnes magras, maçã, banana-maçã, gelatina e, claro, muita água. Devem ser evitados: frituras, leite, alimentos fibrosos e doces.


