A Vigilância Sanitária de Foz do Iguaçu registrou dois casos de raiva canina na cidade e inicia hoje uma campanha de vacinação em todos os cães e gatos. A 9ª Regional de Saúde constatou a existência de um surto da doença e há preocupação de epidemia. Ainda hoje, o secretário Estadual da Saúde, Armando Raggio, se encontra com autoridades do setor para definir uma estratégia de atuação.
Em fevereiro, duas crianças, uma de seis e outra de cinco anos, foram mordidas por cães raivosos em Foz do Iguaçu. Porém, a Vigilância acredita que esse número pode ser ainda maior. Em um dos casos, um menino foi mordido por um cachorro de rua no Jardim Nacional enquanto jogava bola em um campo de futebol. O animal foi sacrificado por moradores da região ao saber que era portador do vírus rábico.
No outro caso, um menino foi mordido por uma cadela no Jardim Paraná (região entre a Ponte da Amizade e usina de Itaipu). O animal tinha dono, mas vivia solto na rua. ‘‘Nossa maior preocupação é que a raiva é transmitida de diversas formas de um cão para o outro, principalmente no contato sexual’’, afirma Eliane Maria Pizzolo, médica veterinária do 9ª Regional.
Nos dois bairros onde foram constatados os casos, a Vigilância Sanitária fez vacinação perifocal (só na região) e um trabalho que os técnicos classificam de busca ativa de animais. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, depois de tratadas, as duas crianças passam bem e não correm risco de vida.
Desde a constatação dos casos, a Vigilância está recolhendo animais atropelados. A cabeça do cachorro, parte do corpo onde é visível a presença do vírus, é encaminhada para a Vigilância Sanitária em Curitiba. A intenção é detectar outros casos e determinar uma situação epidemiológica. Segundo Eliane, se esses animais estiverem contaminados, a região passa a ser investigada pelos técnicos.
Surto Desde fevereiro, a Vigilância Sanitária e a Secretaria Municipal de Saúde vinham alertando para a possibilidade de surto. Os dois órgãos chegaram a convocar pessoas mordidas por cães nos últimos meses. ‘‘A raiva canina, se não diagnosticada em tempo, leva à morte’’, afirma o médico Alceu Bisetto Junior, chefe da 9ª Regional de Saúde.
Segundo ele, a raiva canina traz sintomas parecidos com o da meningite e a morte se dá por meio de meningo-encefalite, uma espécie de inflamação no cérebro das meninges. A partir de hoje, de acordo com Bisetto, todos os cães e gatos do município deverão se vacinados.
Paraguai A situação mais preocupante é em Ciudad del Este, cidade paraguaia fronteiriça a Foz do Iguaçu. A 10ª Região Sanitária em Ciudad del Este informou ontem que não existem dados sobre a doença nem o número de contaminados.
No lado brasileiro da fronteira, a Vigilância Sanitária detectou um caso de raiva canina adquirida em Ciudad del Este. Uma homem foi contaminado com vírus depois de uma mordida de cachorro. ‘‘O fluxo de cachorros na Ponte da Amizade, entre Brasil e Paraguai, está nos preocupando’’, diz a veterinária da Vigilância Sanitária.

mockup