Nos últimos três anos, o número de atendimentos de urgência e emergência do CIATox (Centro de Informações e Assistência Toxicológicas) do HU (Hospital Universitário) de Londrina subiu 211%, passando de 1.700 casos em 2016 para 5.300 em 2019. Os principais registros são de acidentes com animais peçonhentos (1.727) e tentativas de suicídio por ingestão de medicamentos ou produtos químicos (1.603). Também são comuns os casos de exposição a agrotóxicos, ingestão de plantas tóxicas e de produtos de limpeza de uso doméstico.

Camilo Molino Guidoni, coordenador do CIATox:  "O número de casos de acidentes com escorpião é crescente em nossa região”
Camilo Molino Guidoni, coordenador do CIATox: "O número de casos de acidentes com escorpião é crescente em nossa região” | Foto: Micaela Orikasa - Grupo Folha

Os números equivalem aos serviços presenciais no pronto-socorro e os atendimentos telefônicos (90% dos casos) para orientações de pessoas e profissionais da saúde do Paraná e de outros estados como Rio de Janeiro, Tocantins e Mato Grosso. A maioria dos registros, entretanto, é da macrorregião de Londrina, envolvendo cinco regionais de saúde. Além dos atendimentos, o CIATox, que funciona 24 horas, conta com um banco de soros antiveneno e suporte laboratorial para identificação de plantas e animais que possam causar algum dano à saúde.

Imagem ilustrativa da imagem Casos de intoxicação triplicam no CIATox do HU de Londrina
| Foto: Folha Arte

Para o farmacêutico Camilo Molino Guidoni, coordenador do CIATox desde 2014, o aumento se dá por diversos fatores. No caso de tentativas de suicídio, ele aponta os problemas de saúde mental cada vez mais impactantes na sociedade, especialmente entre crianças e adolescentes.

Sobre os acidentes com animais, Guidoni cita a ocupação desordenada das cidades que leva ao desmatamento e queimadas, fazendo com que muitos bichos busquem abrigo e alimentos na zona urbana.

“Outra observação é a falta de saneamento básico adequado, assim como de coleta e armazenamento de lixo. Tudo isso resulta na proliferação de insetos como a barata, que é um alimento para o escorpião. O número de casos de acidentes com escorpião é crescente em nossa região”, afirma o coordenador.

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LIMPEZA

Em 2019, do total de casos atendidos, 466 foram por picadas de escorpiões. “As pessoas também têm mantido entulhos e restos de materiais de construção nos quintais, assim como há terrenos baldios sem cuidados de manutenção, o que leva a proliferação desses animais e consequentemente, aumenta o risco para a população”, completa.

Também nesta época do ano, de clima mais quente, os animais peçonhentos costumam se reproduzir e saem à procura de alimentos, enquanto que a população passa a frequentar lugares mais próximos à natureza.

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O CIATox existe desde 1985 e é um dos quatro centros existentes no Paraná. No Brasil, são 36 órgãos ao todo. A equipe no HU é formada por técnicos plantonista e estudantes dos cursos de medicina, enfermagem e farmácia.

SERVIÇO: Em caso de dúvidas, entre em contato com o centro de controle de envenenamentos pelo 0800 410148 ou no CIATox (43) 3371-2244 (24 horas). Informações também pelo http://www.uel.br/hu/portal/pages/cit---centro-de-informacoes-toxicologicas.php

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