O auge do surto de hepatite do tipo A aconteceu em julho mas até agora funcionários e alunos do Centro de Educação Infantil (CEI) do Conjunto Maria Cecília (Zona Norte de Londrina) mantém um controle rígido da higienização dos ambientes e objetos. No total, oito crianças e uma professora foram diagnosticadas com a doença e as aulas tiveram de ser suspensas por trinta dias. Embora a Vigilância Epidemiológica garanta que a situação não é alarmante, confirmou que o número de casos aumentou 10 vezes entre 2003 e setembro deste ano.
A presidente da Associação do Clube de Mães do Maria Cecília, Laura Dias da Silva, que administra a creche, contou que 10% das crianças foram contaminadas com a hepatite chamada de viral (tipo A), menos perigosa que os tipos B e C, desde o retorno das aulas em julho. O último caso foi confirmado na semana passada. Por orientação médica, as crianças deixaram de frequentar a creche por 30 dias. A responsável pela creche suspeita que a contaminação aconteceu fora da creche, pois houveram casos de hepatite A num bairro vizinho onde moram algumas crianças.
Quando foi registrado o primeiro caso, Laura afirmou que procurou a Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro que passou as orientações necessárias para conter o avanço do vírus. Talheres, pratos e canetas são colocados de molho numa solução com água sanitária. O mesmo produto também é usado para desinfectar banheiros, salas, mesas, cadeiras e colchonetes usados pelas crianças. Água só filtrada e todos são levados para higienizarem as mãos antes e depois das refeições.
A professora Andréia Gonçalves foi contaminada. Ela teve vômito, febre, diarréia, ficou com os olhos e pele amarelados e não tinha vontade de se alimentar. ''Parecia uma gripe ou uma virose qualquer. Só quando fiz o exame é que descobri que era hepatite'', contou.
A gerente da Vigilância Epidemiológica, Sônia Fernandes, afirmou que foi percebido o aumento no número de casos nos últimos anos mas descartou que a situação seja alarmante. Ela explicou que o tipo A da hepatite, embora possa desencadear complicações em alguns doentes, é bem menos grave que os tipos B e C, que provocam problemas hepáticos crônicos em grande parte dos infectados.
De acordo com Sônia, o vírus da hepatite A é transmitido via fecal-oral e, por isso, a doença é mais comum em áreas onde o sistema de saneamento básico é deficiente. O hospedeiro (no caso o homem) elimina o vírus pelas fezes e, por falta de higiene, acaba contaminando outras pessoas. A infecção também se dá atráves da ingestão de água e alimentos contaminados.
Ela orientou as pessoas a lavarem bem os alimentos, higienizarem as mãos antes e após o uso do sanitário, não compartilharem talheres, toalhas e outros objetos pessoais e tomarem sempre água fervida ou filtrada.

mockup