Casos de hanseníase preocupam em Cascavel
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2003
Gilmar Agassi<BR>Equipe da Folha 
Cascavel A confirmação de sete novos casos de hanseníase neste ano em Cascavel está preocupando os responsáveis pela saúde pública. O temor aumenta se forem levados em consideração os números de 2002, quando foram computados 85 casos, que representam 52% a mais que nos dois anos anteriores, quando 56 portadores da doença foram identificados. A Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza como aceitável o máximo de um caso para cada dez mil habitantes. Em Cascavel, esse índice oscila entre quatro e cinco doentes para cada dez mil habitantes.
A enfermeira do Programa de Hanseníase, Liege Silva Bittencourt, avalia que o aumento no número de casos está mais relacionado ao trabalho que vem sendo desenvolvido junto à população do que com uma possível epidemia da doença. A equipe do Programa de Hanseníase passou por treinamento e recebeu capacitação para detectar novos casos. Além disso, a distribuição gratuita de medicamentos passou a ser feita em todos postos de saúde.
Liege Bittencourt acrescenta que a grande maioria das pessoas não conhece os sintomas da doença, por isso não procura atendimento médico. A hanseníase, causada por um bacilo, tem como principais sintomas a presença de manchas esbranquiçadas ou avermelhadas na pele, onde a pessoa não sente dor, calor ou frio, além de dores próximas ao cotovelo, joelho e tornozelo e queda de pêlos do corpo.
A enfermeira frisa que a hanseníase pode ser curada sem deixar nenhuma sequela se for descoberta no início. O tratamento pode durar até dois anos nos casos em que a doença estiver mais avançada, quando detectada. E seis meses nos casos menos graves. Ela informa que, mesmo sendo considerada a menos contagiosa de todas doenças transmissíveis, os riscos de contágios existem se o paciente não estiver se tratando. ''O bacilo pode ser transmitido pela saliva'', ressalta. ''Muitos portadores da doença sofrem preconceito. Porém, em 15 dias de tratamento não existe mais risco de contaminação'' - explica.


