Casos de divórcios tendem a diminuir
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terça-feira, 25 de maio de 1999
Osmani Costa 
O número de divórcios cresceu muito nas últimas décadas nos Estados Unidos, chegando a atingir cerca de 50% dos casamentos. Nos últimos anos, este número se estabilizou e começou a decrescer lentamente. Não temos ainda estudos aprofundados, uma base científica sobre as razões para esta tendência de queda. Mas ela é uma boa notícia porque significa que os casais estão conseguindo superar os problemas emocionais que levam à separação. O que, certamente, só é possível com uma comunicação aberta e solidária entre maridos e mulheres.
Esta afirmação é da mestra em assistência social, especialista em assuntos da família e coordenadora do Departamento de Divórcio da Universidade de Chicago (EUA), Lynn Carp Jacob, que esteve em Londrina no final de semana para falar no workshop sobre Divórcio, mediação em divórcio e recasamento, promovido pelo curso de especialização em aconselhamento familiar do ISBL - Faculdade de Teologia. Participaram do evento cerca de 60 profissionais, entre psicólogos, advogados, assistentes sociais e outros profissionais.
A psicóloga e coordenadora do curso, Iara Monteiro de Castro, afirma que não há dados atualizados sobre o crescimento do número de divórcios no Brasil, mas que eles atingiriam cerca de 25% dos casamentos em Londrina e aproximadamente 30% em todo o País. De acordo com dados mais recentes do IBGE, dos cartórios civis e das varas de famílias de Londrina, o aumento dos divórcios foi muito mais rápido do que o de casamentos entre 1978 e 1996 (ver quadro ao lado).
Segundo a pesquisadora norte-americana, as crises familiares que levam ao divórcio estão centradas principalmente em problemas emocionais e na falta de comunicação entre os casais, seguidos de problemas financeiros. O divórcio atinge mais as pessoas que se casam muito jovens, motivadas pela vontade de sair da casa dos pais ou para imitar o comportamento de seus amigos. Daí, o casamento não atinge o nível do imaginário, do sonho que tinham os noivos, e acaba na separação, comenta Lynn Jacob.
De acordo com ela, grande parte dos divórcios acontece até o décimo ano de casamento, sendo que o momento de maior crise ocorre por volta do sétimo ano. Os dez primeiros anos são os mais delicados; é neles que se concentram as maiores possibilidades de divórcio. E entre os divorciados que voltam a se casar, com outros parceiros, o período de maior concentração do número de divórcios é o dos primeiros dois anos, afirma a professora da Universidade de Chicago, lembrando que cerca de 75% das mulheres e 80% dos homens divorciados voltam a se casar nos Estados Unidos.
A mestra em assistência social comenta que, apesar do desenvolvimento econômico e sócio-educacional da população dos Estados Unidos, aproximadamente 50% dos casos de divórcios contêm algum tipo de violência física e psicológica entre homens e mulheres. E todo tipo de violência é deplorável, deve ser evitado e combatido. A violência normalmente explode no período de separação, que é um momento difícil, de muita tensão e raiva entre as partes.
Na opinião de Lynn Jacob, a busca da superação dos problemas e a continuidade do casamento devem ser almejadas a qualquer custo, e sempre com base na efetiva comunicação entre os casais. Não há casamento sem problemas. Eles ocorrem todos os dias, e não há como evitá-los. O que a terapia familiar faz é ajudar os casais a superá-los. E esta superação só é possível através de um diálogo sincero e honesto entre as partes. A comunicação é a base da negociação que pode fazer a convivência voltar a valer a pena e evitar o divórcio.
Lembrando que os filhos quase sempre são os que mais sofrem com o divórcio dos pais, ela comenta que em nenhum momento as crianças devem ser motivo para a separação ou para a manutenção de um relacionamento que não tem mais sentido. Temos que lutar, sempre e de todas as maneiras, pela manutenção do casamento. O divórcio, que continua provocando um estigma, deve ser visto como a última saída. E quando isto ocorre, os filhos não devem servir como pretexto para a separação e nem como razão para o reatamento.


