‘‘O número de divórcios cresceu muito nas últimas décadas nos Estados Unidos, chegando a atingir cerca de 50% dos casamentos. Nos últimos anos, este número se estabilizou e começou a decrescer lentamente. Não temos ainda estudos aprofundados, uma base científica sobre as razões para esta tendência de queda. Mas ela é uma boa notícia porque significa que os casais estão conseguindo superar os problemas emocionais que levam à separação. O que, certamente, só é possível com uma comunicação aberta e solidária entre maridos e mulheres.’’
Esta afirmação é da mestra em assistência social, especialista em assuntos da família e coordenadora do Departamento de Divórcio da Universidade de Chicago (EUA), Lynn Carp Jacob, que esteve em Londrina no final de semana para falar no workshop sobre ‘Divórcio, mediação em divórcio e recasamento’, promovido pelo curso de especialização em aconselhamento familiar do ISBL - Faculdade de Teologia. Participaram do evento cerca de 60 profissionais, entre psicólogos, advogados, assistentes sociais e outros profissionais.
A psicóloga e coordenadora do curso, Iara Monteiro de Castro, afirma que não há dados atualizados sobre o crescimento do número de divórcios no Brasil, mas que eles atingiriam cerca de 25% dos casamentos em Londrina e aproximadamente 30% em todo o País. De acordo com dados mais recentes do IBGE, dos cartórios civis e das varas de famílias de Londrina, o aumento dos divórcios foi muito mais rápido do que o de casamentos entre 1978 e 1996 (ver quadro ao lado).
Segundo a pesquisadora norte-americana, as crises familiares que levam ao divórcio estão centradas principalmente em problemas emocionais e na falta de comunicação entre os casais, seguidos de problemas financeiros. ‘‘O divórcio atinge mais as pessoas que se casam muito jovens, motivadas pela vontade de sair da casa dos pais ou para imitar o comportamento de seus amigos. Daí, o casamento não atinge o nível do imaginário, do sonho que tinham os noivos, e acaba na separação’’, comenta Lynn Jacob.
De acordo com ela, grande parte dos divórcios acontece até o décimo ano de casamento, sendo que o momento de maior crise ocorre por volta do sétimo ano. ‘‘Os dez primeiros anos são os mais delicados; é neles que se concentram as maiores possibilidades de divórcio. E entre os divorciados que voltam a se casar, com outros parceiros, o período de maior concentração do número de divórcios é o dos primeiros dois anos’’, afirma a professora da Universidade de Chicago, lembrando que cerca de 75% das mulheres e 80% dos homens divorciados voltam a se casar nos Estados Unidos.
A mestra em assistência social comenta que, apesar do desenvolvimento econômico e sócio-educacional da população dos Estados Unidos, aproximadamente 50% dos casos de divórcios contêm algum tipo de violência física e psicológica entre homens e mulheres. ‘‘E todo tipo de violência é deplorável, deve ser evitado e combatido. A violência normalmente explode no período de separação, que é um momento difícil, de muita tensão e raiva entre as partes.’’
Na opinião de Lynn Jacob, a busca da superação dos problemas e a continuidade do casamento devem ser almejadas a qualquer custo, e sempre com base na efetiva comunicação entre os casais. ‘‘Não há casamento sem problemas. Eles ocorrem todos os dias, e não há como evitá-los. O que a terapia familiar faz é ajudar os casais a superá-los. E esta superação só é possível através de um diálogo sincero e honesto entre as partes. A comunicação é a base da negociação que pode fazer a convivência voltar a valer a pena e evitar o divórcio’’.
Lembrando que os filhos quase sempre são os que mais sofrem com o divórcio dos pais, ela comenta que em nenhum momento as crianças devem ser motivo para a separação ou para a manutenção de um relacionamento que não tem mais sentido. ‘‘Temos que lutar, sempre e de todas as maneiras, pela manutenção do casamento. O divórcio, que continua provocando um estigma, deve ser visto como a última saída. E quando isto ocorre, os filhos não devem servir como pretexto para a separação e nem como razão para o reatamento’’.

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