Casos de desaparecidos até 95 estão sem solução
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de fevereiro de 1997
Ivan Santos 
Sucursal de Curitiba
Os 12 casos de crianças desaparecidas no Paraná registrados até agosto de 95, quando foi criado o Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), continuam sem solução. Desde então, a polícia paranaense registrou 150 novos casos de desaparecimento de menores de 12 anos, e segundo o Sicride, todos foram solucionados.
Entre os 12 casos iniciais, o mais antigo é o de Adriano Marques da Silva, desaparecido em 22 de julho de 86, em Cascavel, quando tinha cinco anos de idade. O mais conhecido é o de Guilherme Caramês Tiburtius, que sumiu aos oito anos, em 17 de junho de 91, em Curitiba, e cujo rosto foi divulgado em todo o País depois que sua mãe, Arlete Caramês, fundou um movimento nacional de busca às crianças desaparecidas.
Apesar de afirmar que as investigações estão avançando, e prometer solução para algum deles ainda este ano, a polícia reconhece que esses casos antigos são de difícil solução. Com o passar do tempo, as crianças se tornam adolescentes e a possibilidade de reconhecimento fica cada vez mais prejudicada. Para driblar essa dificuldade, o Instituto de Criminalística adotou um método de envelhecimento das fotos por computador, que permite a atualização da fisionomia da criança.
Dos casos registrados a partir de agosto de 95, a maioria é de menores que fogem de casa depois de apanhar dos pais e conviver com problemas como alcoolismo, violência e pobreza. Em geral, essas crianças são localizadas em poucos dias e devolvidas à família. Entre os desaparecimentos solucionados pelo Sicride estão os resgates de quatro bebês sequestrados no Estado. Um deles foi o de Eduardo Francisco Lopes da Silva, sequestrado por Silvana Cristina Scheid em 95, com apenas 30 dias de vida, em Curitiba. Eduardo foi resgatado em Joinville (SC).
O Sicride não tem nenhum registro de crianças desaparecidas no Paraná que estariam presas no Paraguai, nem está investigando essa possibilidade. A notícia foi divulgada por Walmir Battu, do Interbureau. O investigador levantou a hipótese de que duas crianças e dois adolescentes desaparecidos no Estado podem estar presos naquele País.
Segundo o Bureau, estariam presos no Paraguai Ewerton Ficagna, de 15 anos, que era de Corbélia; Ivonei Quadros, 10 anos, desaparecido em outubro de 96, em Foz do Iguaçu; Edimilton Palma, 14 anos, desaparecido aos 10 anos em Curitiba; e José Carlos dos Santos, 16 anos, desaparecido aos 12 anos em Maringá. Battu diz que está esperando uma resposta do Itamaraty sobre a denúncia, e promete ir ao Paraguai para averiguar o caso.


