SEM DESCUIDO -

Casos de dengue no Paraná apresentam declínio

Apesar de queda da curva de notificação da doença, preocupação é de cocirculação em meio à pandemia do coronavírus

Pedro Marconi - Grupo Folha
Pedro Marconi - Grupo Folha

A epidemia atinge 223 cidades, que representam mais de 55,8% dos municípios paranaenses
A epidemia atinge 223 cidades, que representam mais de 55,8% dos municípios paranaenses | William Volcov/Brazil Photo Press/Folhapress
 


A curva epidêmica da dengue no Paraná está em descendência, de acordo com a Sesa (Secretaria de Estado da Saúde). O pico da doença foi registrado no mês de fevereiro, quando o número de notificações da doença numa semana superou a marca de 27 mil registros, se repetindo posteriormente. A partir da segunda quinzena de março os índices começaram a diminuir, com a tendência se mantendo até esta última semana. 


Na terça-feira (5), a secretaria confirmou mais 15.320 casos de dengue, totalizando 157.418 mil no Estado desde agosto do ano passado. Coordenadora de Vigilância Ambiental da pasta, Ivana Belmonte explicou que o número elevado de novas confirmações é pelo acúmulo por parte dos municípios. “As cidades acabam acumulando as fichas. Conforme vão colocando no sistema o caso vai para a semana a qual pertence. Mas verificamos que a curva está em franca descendência." 




A previsão é de que a curva continue com em declínio até o final de maio e início de junho. Apesar do pior da doença já ter passado, Belmonte destacou que o momento não pode ser de descuido com as medidas de combate ao mosquito Aedes aegypti, com a principal sendo a eliminação dos focos com água parada. 


“É importante as pessoas aproveitarem que estão mais em casa - por conta do distanciamento social - para verificar se tem criadouro e fazer a remoção. Essa ação é essencial, pois, existe o risco de cocirulação viral. Têm várias regiões do Estado mais quentes e de longa data com mais ocorrências da doença”, afirmou. 


Além disso, o descuido pode fazer com que exista uma infecção de coronavírus e dengue ao mesmo tempo, num momento em que a curva da Covid-19 está crescendo no País. “Existe uma orientação da Organização Pan-Americana da Saúde chamando atenção para esta possibilidade e também publicações (científicas). Por isso, as pessoas precisam se preocupar na eliminação dos criadouros”, advertiu. 


SOROTIPO

O Paraná registra em nove meses do atual ciclo epidemiológico 122 mortes em decorrência da dengue. A epidemia atinge 223 cidades, que representam mais de 55,8% dos municípios paranaenses. Sete cidades atingiram o patamar de epidemia nesta semana: Santa Lúcia, Santa Tereza do Oeste, Campina da Lagoa, Kaloré, Leópolis, Paranaguá e Sertanópolis, sendo esta última na Região Metropolitana de Londrina. No total são 293.473 notificações da doença. 


O ano de 2019/2020 foi o com maior circulação viral na história do Estado, o que foi corroborado pela presença do sorotipo dois. “No ano passado a circulação viral no Brasil foi do sorotipo dois, com muitos casos em São Paulo e Mato Grosso do Sul, e chegou ao Paraná. Anteriormente, circulou no Estado o sorotipo um por quase dez anos e a população gerou imunidade, diferente do dois. Daqui algum tempo será outro sorotipo com grande incidência, já que a dengue é cíclica”, elencou. 


LONDRINA

Em Londrina, a queda na quantidade de notificações e, por consequência, nas confirmações, também vem sendo observada. Segundo Sônia Fernandes, diretora de Vigilância em Saúde do município, os índices favoráveis podem dar uma falsa sensação de normalidade. Último levantamento aponta 11.238 casos confirmados e 19 mortes. Outros quatro óbitos já foram descartados e 12 estão sendo investigados.  


“Estamos passando por um período maior de seca e isso interfere. Desde o começo da pandemia da Covid-19 as pessoas estão procurando evitar ir ao serviço de saúde. Indiretamente não tem um número expressivo de casos, no entanto, temos pessoas internadas pela doença. Isso nos leva a crer que as pessoas só estão procurando o serviço quando complica o quadro, o que é um perigo. Aliado a isso têm agentes de campo dizendo que quando entram nos imóveis, encontram número grande de focos”, ressaltou Sônia Fernandes. 




O prédio do CCI (Centro de Convivência da Pessoa Idosa) da zona norte, na avenida Luiz Brugin, continua atendendo exclusivamente casos confirmados e suspeitos de dengue, assim como a UBS (Unidade Básica de Saúde) da Vila Casoni, na região central. 

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