Qualquer pessoa que tenha cursado a escola de formação de oficiais da PM é capaz de contar pelo menos um caso de cadete que burlou a exigência de se manter solteiro até terminar os estudos. ‘‘É frequente’’, diz o coronel da reserva Dirceu Hatschbach. ‘‘No meu tempo, alguns aproveitavam as férias escolares para casar, todo mundo sabia mas fingia que não sabia.’’
O diretor de ensino da PM, coronel Moraes, diz desconhecer casos de burla, mas admite que é muito fácil esconder um casamento: ‘‘Não há como fiscalizar, hoje em dia é fácil até ser bígamo’’.
Os casamentos de cadetes nem sempre são oficiais. Alguns casam apenas no religioso ou simplesmente passam a morar com a namorada, esperando o fim do curso para legalizar a situação. E isso não ocorre apenas na PM, mas também nas Forças Armadas, onde os aspirantes a oficiais também devem ser solteiros.
Um coronel do Exército, que faz parte da Associação dos Militares da Reserva do Paraná e prefere não ser identificado, conta que quando cursava a Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) soube de pelo menos um caso de cadete casado. ‘‘Só ficamos sabendo quando ele morreu, durante uma manobra, e apareceu a viúva, uma mocinha de menos de 20 anos’’, conta. O casamento, nesse caso, não era legalizado.
Para o coronel, o episódio mostrou que ‘‘o regulamento estava certo’’. ‘‘É melhor que uma pessoa exposta a tantos riscos não tenha uma família atrás de si’’, afirma. Ele acredita que ‘‘uma pessoa solteira tem mais coragem, não deixa de se expor a riscos pensando na família’’.
O próprio coronel, noivo quando cursou a Aman, diz que para cumprir as normas adiou por dois anos o casamento - que afinal acabou não se realizando com a moça que esperou tanto tempo, mas com outra. ‘‘O cadete precisa se dedicar total e exclusivamente à sua formação e, quando ingressa na academia, está consciente de que terá de abrir mão de uma série de coisas, como a participação na vida política e o direito de greve’’, afirma.

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