Caso Rafaeli ainda longe de uma solução
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quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Diego Ribeiro<br>Equipe da Folha 
Quatro meses depois da morte da estudante Rafaeli Lima, 21 anos, em uma abordagem da Polícia Militar (PM), em Porto Amazonas (51 km ao sul de Ponta Grossa), o inquérito ainda não saiu da esfera policial. O episódio revoltou os moradores do município. Durante a abordagem, em 13 de julho, um dos soldados do 1º Batalhão da PM atirou contra o carro onde estava Rafaeli e um amigo dela, Diogo Shuhli, 20. Os tiros acabaram acertando a cabeça da jovem e ferindo o rapaz. Os policiais teriam confundido o carro em que eles estavam com um outro veículo que teria furado uma barreira da polícia.
"Esperávamos, pelo menos, que se mostrasse que a Justiça estava sendo feita", lamentou o pai de Rafaeli, Jociel Alvelino Machado. Segundo o promotor de Palmeira (40 km ao sul de Ponta Grossa), Antonio Carlos Nervino, o Ministério Público (MP) estadual ainda não se posicionou no caso porque não ficaram prontos os laudos de balística e da reconstituição.
"Eu já tenho uma posição formada sobre o caso, mas não quero me manifestar agora", enfatizou o promotor. De acordo com ele, o MP se pronunciará sobre a posição neste caso quando os promotores se reunirem e tiverem o inquérito juntamente com os laudos em anexo.
"Acredito inclusive que tenhamos (Nervino e o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado -Gaeco) a mesma opinião sobre o caso", contou. Nervino fixou um prazo de 30 dias para os laudos ficarem prontos. Portanto, o inquérito deve voltar para as mãos do MP até o próximo dia 30, data que termina o prazo.
A delegada titular de Palmeira, Valéria Padovani de Souza, presidiu o inquérito durante as investigações. O promotor contou que a policial pode ainda pedir mais uma prorrogação para entregar o inquérito novamente, já que o MP julga os laudos fundamentais para tomar alguma definição. "Já estou cobrando do Instituto de Criminalística", respondeu a delegada, após ser questionada sobre a demora da emissão dos laudos.
Para o pai de Rafaeli, o caso parece estar abandonado pelo MP e pela polícia. "Não foi feito nada ainda. Os policiais estão prestando serviço ainda. Não está sendo fácil para a gente", queixou-se. Para o promotor, o inquérito foi bem conduzido pela polícia.
A polícia já havia concluído o inquérito e indiciado o soldado que atirou contra o carro por homicídio doloso. Já um outro PM que também estava na abordagem que resultou na morte de Rafaeli, não foi indiciado. Entretanto os dois ainda estão afastado das ruas, lotados em trabalhos administrativos.
O inquérito policial militar, aberto em paralelo à investigação da Polícia Civil, já foi concluído e o coronel Sérgio Vendrametto, responsável pelo Comando do Policiamento do Interior (CPI), não quis comentar o fato. Ele apenas informou que o caso já está com a auditoria militar.
A Secretaria da Segurança Pública (Sesp) informou que os laudos devem estar prontos até o final deste mês.


