Caso Luana completa 8 meses sem solução
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 15 de junho de 2004
Lúcio Flávio Moura<br> Reportagem Local 
Florestópolis De um lado o acesso ao Sítio São Marcos. Do outro, a Fazenda Santa Luzia, município de Florestópolis, quase limite com Prado Ferreira. A encruzilhada formada por uma estrada rural e a PR-170 aparenta ser o lugar mais seguro do mundo, desde que se olhe dos dois lados para atravessá-la.
Mas ali, no KM 35, a 12 quilômetros do centro de Florestópolis, a palavra insegurança deixou de ser uma abstração há exatamente oito meses, completos hoje, quando a menina Luana Oliveira Lopes desapareceu aos 8 anos sem deixar vestígios, a não ser o relato do irmão Diego, dois anos mais velho.
Pela versão do menino, naquele domingo ensolarado de primavera, um caminhão-baú encostou à margem da via por volta do meio-dia quando eles retornavam do sítio, do outro lado da estrada, carregando duas garrafas PET cheias de leite alimento para eles e para outras duas irmãs, Daiane, 5, e Maiara, 4.
Segundo Diego, um homem desceu do caminhão e ofereceu cobertores. As crianças entraram no baú. Foram amarrados. Diego permaneceu trancafiado no baú. A menina foi levada à boléia. Em um cafezal próximo a Prado Ferreira, o caminhão parou. Enquanto Luana permaneceu na cabine, o motorista abriu o baú e desamarrou Diego. O garoto conseguiu escapar. Foi perseguido pelo motorista armado com uma faca e golpeado. Diego foi encontrado desacordado no cafezal no final da tarde.
Luana nunca mais foi vista. Nenhum corpo com as características da menina foi encontrado desde então. Depois de levantar vários suspeitos, o trabalho da polícia, especialmente a equipe do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), avançou pouco nestes 240 dias.
O mistério permanece intrigando os moradores da cidade e sustentando as esperanças dos familiares. ''É difícil passar um dia que seja sem que alguém pergunte sobre a Luana. A gente fica angustiada a cada resposta'', conta a conselheira tutelar Maria do Carmo Aguiar Casagrande, que desde o desaparecimento se tornou amiga da família, dedicando seu apoio sempre que os pais de Luana visitam a cidade em busca de notícias.
O presidente do Conselho Tutelar, João dos Santos, acredita que o início da safra de cana-de-açucar, que deixa as propriedades com a ''terra nua'', pode facilitar a descoberta de outras pistas materiais sobre o episódio. ''Na época do sequestro, os canaviais estavam com cerca de um metro de altura'', explica.
Na Fazenda Santa Luzia, o episódio teve o poder de mudar hábitos arraigados à gerações. As crianças já não se divertem sem os olhos preocupados dos mais velhos. ''Nenhuma criança sai mais sozinha, nem para ir para a casa da vó, aqui do lado'', explica o pai de Luana, o trabalhador rural Sérgio de Oliveira Lopes, 30 anos. ''Até hoje me arrependo de ter ido trabalhar aquele domingo. Sei que se estivesse em casa aquilo não teria acontecido''.
Leia amanhã como estão as investigações policiais sobre o caso


