Caso é o segundo em dois meses envolvendo polícia
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de novembro de 1997
Antônio França Foz do Iguaçu 
O caso do vendedor de jornal Antônio Rodrigues é o segundo episódio de violência envolvendo policiais em Foz do Iguaçu em menos de dois meses. Na manhã de 10 de outubro, quatro rapazes - três menores - foram mortos em uma operação policial na Favela Monsenhor Guilherme, região central da cidade. Familiares e testemunhas afirmam que os rapazes foram executados.
Ontem, na reunião geral do Conselho da Polícia Civil do Paraná, o delegado-geral do órgão, Arthur Braga, pediu urgência na conclusão do laudo de exumação dos corpos dos quatro rapazes e no inquérito policial que está sendo feito na 6ª Subdivisão Policial em Foz do Iguaçu.
De acordo com o diretor do Instituto Médico-Legal (IML) no Estado, Francisco Moraes, a exumação dos corpos de Eli de Oliveira, de 19 anos; Ademilson Dias de Mattos, de 17; Arnaldo Oziel Mongelos, de 16; e Giovane Medina, de 15 - todos mortos na operação - será revelado somente hoje à tarde.
A Folha apurou que o documento vai apontar que nenhum dos tiros foi disparado à queima-roupa (forma comum em casos de execução) e que não havia marca de algema nos braços. As lesões, apontadas até agora, não são próprias de execução, adiantou Moraes.
No entanto, o promotor José Geraldo Gonçalves disse que a investigação paralela feita pelo Ministério Público não depende do laudo do IML. Para nós, a peça-chave do caso é o depoimento dos policiais. Esses depoimentos serão acompanhados por promotores, adiantou.
O Ministério Público está levando em consideração o depoimento de uma das testemunhas da operação policial, o adolescente A.B.R., 16 anos. Não vi os rapazes sendo mortos porque onde aconteceu o tiroteio eu não podia enxergar, mas os policiais falaram: se vocês correrem, vão morrer, relata A.B.R.
A Folha apurou que os promotores responsáveis pelo caso pretendem denunciar na Justiça os oito policiais e o delegado envolvidos na operação. O delegado-adjunto da Divisão de Interior da Polícia Civil, Guido Ribeiro de Carvalho, disse ontem que os oito policiais envolvidos no caso - Hugo Vidal Ferreira junior, Luis Carlos dos Santos, Celso Geraldo Bueno de Carneiro, Luis Carlos Dorial, Paulo Roberto Saucedo, Francisco Carlos Cogrossi, Pedro Isac Nemecek e Fioravante Beruchon dos Santos, e o delegado Antônio Donizete Botelho - já prestaram depoimento no processo administrativo da Polícia Civil.
Segundo o delegado-adjunto, até dezembro devem ficar prontos o inquérito policial e o processo administrativo. O inquérito vai definir a situação dos policiais. No entanto, a peça mais importante desse caso é o laudo de exumação, considera.


