Um dos mais graves conflitos agrários na região de Londrina aconteceu no dia 27 de abril do ano passado, na fazenda Borborema, em Tamarana (62 km ao sul de Londrina). Durante uma briga, o segurança José Lopes de Oliveira, 36 anos, conhecido como Django, foi morto pelos sem-terra com um tiro na cabeça. Um dia antes, ele teria feito diversas ameaças às famílias acampadas.
Logo após a morte de Django, os invasores abandonaram a fazenda e resolveram acampar em uma área ao lado. Mas, irritados com a demora do Incra em resolver a situação das famílias, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) voltaram a invadir a fazenda em novembro.
Segundo o Relatório de Invasões de Propriedades Rurais do Estado do Paraná deste ano, elaborado pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), os sem-terra continuam na área.
Um ano e cinco meses após a morte de Django, não se chegou ainda à autoria do crime. O inquérito policial foi remetido recentemente à Justiça e indicia 12 sem-terra por co-autoria no assassinato. Para se chegar a estes nomes, o responsável pelos trabalhos, o delegado do 3º Distrito Policial de Londrina, Jurandir Gonçalves André, ouviu mais de 50 depoimentos.
O delegado justifica a demora na conclusão dos trabalhos dizendo que teve de fazer várias diligências a pedido do Ministério Público. ‘‘O inquérito foi devolvido para a delegacia várias vezes com pedidos de novas diligências’’, observa. Alguns dos trabalhos, ressalta, dependeram de outras comarcas. ‘‘Tivemos que ouvir um sem-terra que vive no Pontal do Paranapanema (SP)’’, exemplifica. (L.O.)

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