Caso de Adrinópolis pode virar uma CPI
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segunda-feira, 26 de março de 2001
Emerson CerviDe Curitiba 
A Comissão Permanente de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do Paraná, que investiga os casos de contaminação por resíduos de chumbo deixados no município de Adrianópolis, ameaça propor uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o assunto. O atual proprietário das instalações da Plumbum do Brasil, José Carlos Leprevost, e o dono dos resíduos de chumbo, Mario Tagushi, foram convidados pela comissão mas não compareceram ontem para depor. A Comissão de Meio Ambiente não tem poderes de polícia, apenas convidamos as pessoas para darem suas versões, mas se eles se negarem a participar poderemos criar uma CPI para fazer as convocações, disse o presidente da comissão, deputado Neivo Beraldin (PPB). Beraldin determinou que fossem reconvidadas para a reunião de amanhã os empresários Leprevost e Mário Tagushi, além dos médicos Osmar Barcik e João Bafa.
Os deputados detectaram que há irregularidades no armazenamento dos resíduos. Ontem, a comissão ouviu declarações do presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Mário Sérgio Rasera, do vice-prefeito e secretário de Meio Ambiente de Adrianópolis, Claudio Pedro de Lima (PSL), e do prefeito do município, Teodoro Marques (PSL).
Ouvimos depoimentos de populares que mostram a falta de cuidado que a empresa tinha com seus operários, lembra Beraldin. Segundo os trabalhadores, João Bafa era médico contratado pela Plumbum até que começou a constatar índices elevados de chumbo nos trabalhadores. Ele foi demitido e em lugar entrou Osmar Barcik. Enquanto esse segundo profissional trabalhou na Plumbum, os trabalhadores não tinham acesso aos resultados de todos os exames. Queremos ouvir do médico se essas informações são verdadeiras ou não.
O presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Mário Sérgio Rasera, confirmou ontem que o órgão está fazendo exames em água, solo e resíduos de chumbo deixados em várias regiões de Adrianópolis. Técnicos do IAP recolheram amostras de água do sistema de abastecimento domiciliar, do Rio Ribeira, de solo e de resíduos de chumbo que continuam no local. Em todas as amostras foi constatado índice de chumbo normal. Nem mesmo no canal de água que passa ao lado dos resíduos de chumbo houve constatação de níveis elevados do minério.


