A adoção do menino José Lucas, de um ano e sete meses, provocou uma manifestação em frente ao Fórum de Realeza (75 km a oeste de Francisco Beltrão). Os manifestantes eram favoráveis aos pais adotivos que perderam a guarda da criança na última terça-feira, conforme decisão judicial embasada em laudo assinado pela psicóloga do Serviço de Apoio à Infância, Solange Gehlen.
Segundo o advogado Avelino Trentin, que defende o casal de agricultores, Irma, 42 anos, e Vitório Rataiczyk, 51, estavam com a guarda provisória da criança desde que ela tinha um dia de vida e aguardavam a adoção definitiva. Segundo o advogado, a guarda provisória foi obtida ao nascimento do menino com base num relatório do Conselho Tutelar de Ampére.
De acordo com o conselheiro Natalício de Melo, o Conselho Tutelar fez uma avaliação social e o casal apresentava todas as condições necessárias para obter a guarda de José Lucas. ‘‘O Conselho Tutelar está chocado com a retirada da criança dos pais adotivos’’, disse Melo.
O processo de adoção emperrou quando foi elaborado o relatório da psicóloga. O advogado afirma que o relatório foi expedido após uma única visita ao casal. Solange Gehlen, segundo o advogado, afirmou que o casal não tem condições de adotar, que os dois não têm nada a oferecer à criança e o afeto que possuem por ela é sem qualidade. Para o advogado, ‘‘um laudo baseado numa única visita é insuficiente para retirar a criança dos braços da mãe’’.
A psicóloga explicou que cumpriu determinações judiciais e que sua avaliação é baseada ‘‘na realidade dos fatos, visando sempre o bem estar da criança’’. Conforme Solange Gehlen, ‘‘o casal tem que ter as mínimas condições físicas, culturais, mentais e afetivas e não apenas materiais para obter a adoção’’. Solange ressaltou ainda que um casal, quando pretende adotar uma criança, deve fazer um cadastro junto ao Juizado de Menores. Vitório e Irma não procederam desta forma e sim via Conselho Tutelar.
O promotor Jorge de Assis, que atuava em Realeza, pediu exames médicos detalhados no casal. Para o advogado, estes exames foram pedidos porque Vitório é trêmulo, sequela de uma mordida de cachorro hidrófobo e de um derrame cerebral recente. Jorge de Assis contesta e alega que ‘‘o Ministério Público visa apenas o bem-estar da criança e atua de forma imparcial’’. Com base no resultado dos exames médicos, Assis considerou Vitório incapaz física e mentalmente para adotar José Lucas e pediu improcedência da guarda.
O advogado entrou com recursos judiciais. José Lucas está numa Casa Lar em Realeza.

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