Caso começou com 'escândalo do leite'
O escândalo do leite - como o caso passou a ser chamado na imprensa - começou em abril de 98, quando o presidente da Confepar e da Cativa, Osmar Buzinhani, e Alfredo de Carvalho, diretor da Cativa, denunciaram três assessores da Câmara de Londrina por prática de extorsão contra a Cativa e a Cooperativa Central Norte de Apucarana.
Segundo eles, Aristeu Neves Rodrigues, assessor de Alvair de Souza (PL), Fredemax Mota, assessor de Jaci Aguiar (PDT) - suplente de vereador que ocupava vaga de Moysés Leônidas (PDT), na época secretário municipal - , e José Rojas Gavilan, assessor de Beto Scaff (PSDB), teriam tentado extorquir R$ 80 mil (R$ 30 mil da Cativa e R$ 50 mil da Central Norte) para que não fosse divulgado o resultado de laudos do Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, que reprovava o leite tipo C das cooperativas. Os laudos teriam sido feitos a partir de requerimento de Jaci Aguiar.
Ainda em abril, a Câmara abriu uma CEI para apurar as denúncias, enquanto o Ministério Público pedia abertura de inquérito policial. Em depoimento à CEI e ao delegado Joaquim de Melo, responsável pela investigação da Polícia Civil, os três acusados disseram que, na verdade, foram vítimas de tentativa de suborno para omitir laudo desfavorável às cooperativas.
Concluído o inquérito policial, os promotores da Promotoria de Investigação Criminal denunciaram Fredemax Mota, José Rojas Gavilan, Aristeu Rodrigues, Jaci Aguiar e José Theodoro (vice-prefeito de Apucarana e que teria participado dos contatos com a Central Norte). O juiz da 4ª Vara Criminal, Arquelau Araújo Ribas, acatou o pedido, mas só deve começar a ouvir os acusados em maio de 1999.
O resultado da CEI, condenando os acusados, saiu no final de junho, com a aprovação do relatório final. A investigação apontou que Jaci Aguiar agiu em desacordo com a ética e decoro parlamentar e que há indícios de que os assessores tentaram praticar a extorsão.
O relatório indicou a necessidade da abertura de processo de cassação do mandato do suplente Jaci Aguiar no momento em que ele voltasse a assumir uma vaga na Casa, em substituição a um dos três vereadores do PDT. Desde aquela época, o caso vem se arrastando porque os vereadores ainda não decidiram sobre a instauração da comissão processante antes da conclusão final dos trabalhos do Poder Judiciário. No final de fevereiro, os vereadores decidiram contratar o advogado Adyr Sebastião Ferreira (ex-procurador da Casa) para apresentar parecer sobre qual é a melhor conduta, sob o ponto de vista legal.





