A história da vida da auxiliar administrativa Ana Paula Colonheis, 35 anos, é marcada por adversidades e tragédias. A mais grave ocorreu no dia 30 de junho de 2001. Neste dia, os dois filhos dela, Lucas e Amanda, morreram atropelados ao atravessar a Avenida Inglaterra, na Zona Sul de Londrina. O acidente ocorreu na faixa de pedestres. O responsável pelo acidente ainda não foi julgamento.
Ana Paula estava no trabalho quando recebeu a notícia. O choque contra as crianças foi tão forte que as mortes foram instantâneas. O condutor do carro, Leandro Antonio Bartolo, ficou preso por 26 dias, mas foi colocado em liberdade com um habeas corpus.
A demora só aumenta a indignação da mãe das crianças. ''Desde que ele compareceu para prestar depoimento, nunca mais teve que fazer nada. A vida dele está transcorrendo muito bem. Mas e a minha? No dia 18 de fevereiro o Lucas faria 14 anos. Ningém pergunda como me sinto''.
A morte das crianças provocou revolta entre os moradores do Jardim Igapó, que chegaram a realizar um protesto e foram recebidos por autoridades. Após o incidente, Bartolo precisou de proteção para não ser agredido por testemunhas e vizinhos.
Sempre que possível, Ana Paula visita o Fórum para buscar informações sobre o andamento do processo. Ela acredita que o problema dos crimes no trânsito é de toda a sociedade e, por isso, deve existir mobilização para pressionar o governo para resolver essa situação, para que casos como o dos filhos dela não voltem a ocorrer.
Ana Paula não acredita que o culpado pegue uma pena severa. ''Ele vai acabar sendo condenado a pagar cestas básicas ou prestar serviços comunitários. Isso se o crime não estiver prescrito. Enquanto isso, ele não pagou nenhuma multa nem teve a carteira apreendida'', lamenta.
Bartolo já foi interrogado. A fase mais demorada é a dos depoimentos das testemunhas. Isso também já aconteceu. O cancelamento de audiências contribuiu para atrasar o andamento do processo. A preocupação de Ana Paula é que o caso pode cair no esquecimento.
De acordo com informações obtidas junto ao cartório da 4 Vara Criminal, o processo está em fase de alegações finais. As cartas precatórias foram emitidas, mas a defesa do réu ainda não apresentou as alegações. A FOLHA foi informada que não é possível estimar o prazo para conclusão porque os processos de réus soltos são mais morosos.

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