Caso Bueno pode ir para Justiça comum
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sexta-feira, 08 de agosto de 1997
Lucília Okamura 
Londrina
Os policiais acusados pela morte do pastor José Idalécio Bueno, ocorrida no dia 9 de fevereiro, em Ibiporã (Norte do Estado), poderão ser julgados pela Justiça comum.
O Inquérito Policial Militar (IPM) que apurou o caso e estava na Auditoria Militar, em Curitiba, foi remetido recentemente para o Fórum de Londrina, e deverá ser encaminhado para Ibiporã.
O promotor da 1ª Vara Criminal de Londrina, Janderson Camões de Carvalho Iassaka, explica que a Promotoria de Curitiba com atribuições na Vara da Auditoria Militar deu parecer entendendo que o crime deveria ser apreciado pela Justiça comum.
A promotoria de Curitiba declinou do caso e pediu a remessa para a comarca onde ocorreu o crime. Um juiz de Curitiba acatou o parecer da promotoria, mas o caso foi enviado para Londrina.
Janderson Iassaka diz que, na primeira semana deste mês, deu parecer para que o caso fosse remetido para Ibiporã, já que foi lá que ocorreu o crime. O juiz da 1ª Vara Criminal, Jurandyr Reis Junior, ainda não despachou, mas o promotor Iassaka acredita que ele será favorável à remessa.
O IPM encerrado no dia 28 de abril, pelo tenente Luis Francisco Serra, concluiu que os policiais militares são inocentes. Na época, o tenente Serra afirmou que não houve transgressão disciplinar nem indícios de crime militar. Janderson Iassaka foi designado para acompanhar o inquérito.
O pastor morreu após uma discussão de trânsito com policiais militares e rodoviários. Ele estava na BR-369, entre Ibiporã e Londrina, e foi abordado por PMs sob alegação de direção perigosa. José Bueno foi conduzido até o Posto da Polícia Rodoviária, em Ibiporã, onde discutiu com os policiais e foi colocado em uma viatura. Ele teria morrido afogado no próprio vômito antes de chegar a um hospital.
Os policiais acusados são o sargento Levi Teófilo e os soldados Antônio Marcos Pereira, Amilton Rodrigues dos Santos e João Reis. Também estão envolvidos os policiais rodoviários Florisvaldo de Jesus Spolador, Aluísio Martins Cardoso, Dirson Domingos Thomé, Sérgio Noveli e Cláudio da Cruz Oliveira.
No dia 16 de março, populares fizeram um protesto contra a morte do pastor e acabaram destruindo completamente o Posto da Polícia Rodoviária e depredando as celas da Delegacia de Ibiporã.
A delegacia passou por uma reforma e só foi liberada no dia 16 de junho. O posto deverá ser construído em um outro local.


