Caso Andreis terá novo julgamento
Paulo Pegoraro
De Cascavel
O Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná anulou o julgamento do barqueiro Jolcimar Pes, o Gilsão, 28 anos, condenado a 12 anos e 2 meses. Ele é a única pessoa já punida pelo assassinato dos empresários Quinto Andreis e seu filho Celso Andreis, mortos a tiros por dois pistoleiros em 10 julho de 1996, em Guaíra (160 km a oeste de Cascavel), em crimes tipicamente de encomenda. A informação foi dada ontem pelo advogado da família Andreis, Aparecido da Silva Martins, na véspera das mortes completarem três anos. O TJ ainda não marcou a data do novo julgamento.
O episódio é um dos que tiveram maior repercussão na história da cidade porque um dos denunciados como mandante dos crimes é Milton Andreis, 37 anos, sobrinho de Quinto Andreis, que tinha 60 anos. As duas famílias são donas de empresas concorrentes de transporte fluvial e extração de areia no Rio Paraná. O advogado Aparecido da Silva Martins foi assistente de acusação no julgamento do barqueiro, em agosto de 98.
Gilsão conduziu os pistoleiros pelo Rio Paraná, até as proximidades do local dos crimes, e depois na fuga para o Paraguai. O Ministério Público (MP) recorreu da pena aplicada a Gilsão porque os quesitos apresentados pelo juiz aos jurados teriam sido confusos, segundo o advogado Aparecido da Silva Martins. Gilsão, que cumpre pena na Cadeia Pública de Toledo, foi condenado a 12 anos pela participação indireta no assassinato de Quinto e apenas 2 meses no caso de seu filho.
Celso Andreis, que tinha 34 anos, provavelmente não era alvo dos pistoleiros, já que foi morto ao tentar socorrer o pai. Os assassinos pararam uma motocicleta na frente da casa de Quinto Andreis e o chamaram, matando-o com tiros de pistola na cabeça, pescoço e coração. Celso correu para fora ao ouvir os estampidos e recebeu dois tiros nas pernas e cinco nas costas. As investigações policiais apontaram como executores dos crimes Edivaldo Rocha Alves e Ivan Henrique Azevedo, que estariam em Cuiabá, onde são procurados.
Também estaria em Cuiabá Luiz Siqueira da Costa, que teria participado da preparação dos crimes, levantando informações sobre as vítimas. Milton Andreis e Roque da Silveira, 34 anos, comerciante de importados e filho dos ex-prefeitos Osvaldino e Ada da Silveira, foram apontados no inquérito policial como mandantes dos crime. Os dois, que negam qualquer envolvimento, já foram ouvidos em juízo, mas não há previsão de quando o processo estará pronto para julgamento.
A família de Quinto e Celso está questionando o que classifica como demora na punição de executores e mandantes dos crimes. Em nota publicada hoje pela Folha, na passagem do terceiro ano do episódio, a família afirma que a demora mantém aberta a chaga criada pela violência e a sensação de impunidade. Quinto e Celso Andreis eram donos de Mineração Floresta, enquanto Milton Andreis é dono da F. Andreis, fundada por seu pai, Fioravante, em sociedade com Quinto, que depois abriu sua própria empresa, iniciando-se acirrada concorrência.





