Caso Amanda: réus revelarão mandante(s)?
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sexta-feira, 15 de maio de 2009
Luciano Augusto<br> Equipe da Folha 
Londrina - Está marcada para a próxima segunda-feira a primeira audiência sobre a morte da estudante universitária Amanda Rossi. A expectativa é se os réus revelarão ou não quem os teria contratado para assassinar a jovem, de 22 anos, em outubro de 2007, em Londrina. Como houve o desmembramento do caso, as investigações sobre quem mandou matar ainda estão na fase de inquérito.
O processo sobre a autoria corre em segredo de Justiça e tanto a Justiça quanto a polícia e os advogados de defesa não podem revelar qualquer informação que conste nos autos, que já somam cinco volumes.
A juíza da 1ª Vara Criminal, Elisabeth Khater, explicou que as audiências normalmente são públicas, mas neste caso o sigilo foi decretado para ajudar o esclarecimentos dos fatos. Entretanto, a juíza comentou que "trata-se de um caso que repercutiu muito na sociedade e que a Justiça dará uma resposta rápida". Segundo a juíza, foram convocadas 26 testemunhas. Primeiro serão ouvidas as de acusação (maioria), em seguida as de defesa e, por fim, os réus.
Os três presos respondem por homicídio triplamente qualificado -por receberem recompensa; por usarem de meio cruel (esganadura); e por não oferecerem chance de defesa à vítima. Amanda foi encontrada morta na manhã de 29 de novembro de 2007, dentro da casa de máquinas da piscina do campus da Unopar do Jardim Piza (Zona Sul), onde ela cursava Educação Física. A jovem havia desaparecido dois dias antes, enquanto participava de um festival de dança na universidade.
Em dezembro do ano passado, a Polícia Civil prendeu Alan Aparecido Henrique, 29 anos, Luiz Vieira Rocha, 34, e Dayane de Azevedo, 24, tidos como os autores do crime. Com base nas apurações, o delegado de Homicídios, Ernandes Cézar Alves, apontou que a estudante teria sido atraída até o local do crime por Dayane e sido morta por Henrique. Rocha teria feito a "segurança" do lado de fora. Eles teriam sido contratados por uma pessoa -"uma professora da Unopar" -, por R$ 3 mil, para matar a estudante. Os dois homens negam a autoria. Em fevereiro, o secretário estadual de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, esteve em Londrina para anunciar a conclusão das investigações.
A FOLHA apurou que a expectativa entre a acusação é que na audiência os réus assumam a autoria e revelem o intermediário que os teria contatado e o mandante. Fontes consultadas garantiram que há provas contra os réus que derrubariam a versão deles de que estariam em uma festa na noite do crime. O advogado de Henrique, Laércio Luz, adiantou que seu cliente irá repetir que é inocente - "não vai mudar nada do que já disse desde o primeiro momento" - e criticou a "antecipação do julgamento". O advogado de Rocha, Adolfo Góis, e a defensora de Dayane, Rossana Karatzios, foram procurados ontem mas não deram retorno à reportagem até o fechamento desta edição.
Luiz Rossi, pai de Amanda, será o primeiro a ser ouvido na audiência de segunda-feira e ficará frente a frente com os acusados, desde que foram presos. Ele admitiu que não será uma situação fácil, mas disse que a família acredita na Justiça. "Há quase dois anos nossa família foi praticamente destruída e esta será a primeira vez que vou ficar de frente para eles (réus). Vou olhar na cara deles e minha vontade é falar o que eles fizeram para nós, mas não vou fazer nenhuma besteira, vou ficar quieto", afirmou Luiz. "Existe a Justiça e temos que acreditar nisso", completou.


