Sem se identificar, a dona da pensão em São Carlos (SP), onde morava o jovem de 18 anos preso por suspeita de envolvimento na morte da universitária londrinense Amanda Rossi, 22 anos, contou à FOLHA que ele era ''uma pessoa estranha'' e que costumava omitir, ou mentir, sobre fatos da vida pessoal. Ela disse que ficou estarrecida quando a Polícia Civil de Londrina bateu à sua porta atrás do rapaz: ''Pensei comigo: meu Deus, o que a gente tem dentro da própria casa?''.
Sobre as suspeitas envolvendo o jovem e a morte da universitária, ela confirmou a versão dada à Polícia de que o rapaz teria comentado certa vez que iria passar na TV uma reportagem falando da morte de uma amiga de Londrina. ''Ele falou que tinham matado uma amiga dele em Londrina e iria passar no jornal. Depois, ele ficou uns dias quieto, sem sair de casa, e não falou mais nada.'' Ela comentou que o rapaz nunca se ausentou por mais de um dia e que apenas uma vez, ''há uns dois meses'', falou que iria viajar para São Paulo, mas voltou no dia seguinte.
A senhora apontou que o rapaz ocupou um dos quartos da casa por quatro meses e que pagou os aluguéis corretamente. ''Ele veio aqui para perguntar se tinha vaga. Falei que não, mas que um rapaz iria sair em alguns dias e que eu exigia cópia dos documentos e algum papel que constasse que ele era mesmo estudante. Ele voltou e trouxe um papel da matrícula numa faculdade de Direito'', detalhou. Mas já nas primeiras semanas, ela começou a desconfiar do novo morador. ''Ele contava muita mentira. Uma hora ele falava que o pai era delegado, outra hora dizia que era o dono da construtora onde ele estava trabalhando. Outra vez falou que os pais moravam nos Estados Unidos'', revelou.
A dona da pensão comentou ainda que o rapaz era muito reservado e que ''conversava sempre de cabeça baixa''. Nunca foi visitado por amigos ou familiares. ''Só uma vez, há uns dois meses, uma outra moradora disse que ouviu de madrugada uns quatro moços gritando seu nome na rua, mas ele não atendeu.'' Ele também não usava o telefone da pensão. Preferia sempre o próprio celular ou então ia até um telefone público da rua.
Somente a pouco tempo atrás, a dona da pensão recebeu o telefonema de uma operadora de telefonia do Rio de Janeiro, cobrando uma conta que o rapaz estaria devendo em Ilhéus (BA). Ela ligou para Ilhéus e ficou sabendo que o jovem estaria com uma dívida de mais de R$ 800,00 com a proprietária de outra pensão, onde ele havia morado por três meses. ''Ela me disse que ele falava que trabalhava numa companhia aérea, mas nunca saía de casa'', confidenciou.
A dona da pensão de Ilhéus relatou que no tempo em que o suspeito ocupou o quarto, ela teve a bolsa com dinheiro e documentos furtados. ''Somente na quinta-feira encontrei a bolsa só com os documentos num armário do corredor que dava acesso ao quarto dele'', emendou. Uma faxineira também encontrou no guarda-roupas do rapaz uma camiseta de outro hóspede que havia sumido há algumas semanas.
O rapaz continua detido no Centro de Detenção Provisória (CDR). Ele foi preso depois que a Polícia recebeu uma denúncia anônima dizendo que ele poderia conhecer Amanda e ter se encontrado com ela no dia do crime. No quarto da pensão, os policiais encontraram outros indícios que reforçaram as suspeitas. O delegado-chefe de Londrina, Sérgio Barroso, afirmou que ele seria ouvido quantas vezes fosse necessário mas que o teor dos depoimentos seria mantido em sigilo para não atrapalhar as investigações.
Amanda foi agredida no rosto e esganada no dia 27 de outubro do ano passado, dentro da casa de máquinas da piscina do campus da Unopar do Jardim Piza. O corpo da estudante só foi encontrado dois dias depois da morte.

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