Curitiba - O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decide hoje se acata o recurso que pode determinar um novo julgamento de Celina e Beatriz Abagge. Elas são acusadas de participação na morte de Evandro Ramos Caetano, 6 anos, em 1992, na cidade de Guaratuba (Litoral), durante um suposto ritual de magia negra. As duas são acusadas de homicídio triplamente qualificado, sequestro e ocultação de cadáver. Outros cinco réus no mesmo processo já foram julgados, três foram condenados e dois absolvidos.
Celina e Beatriz entraram pela segunda vez com um recurso no STJ contra a anulação do primeiro julgamento a que foram submetidas em 1998. Na ápoca, mãe e filha foram absolvidas em julgamento que durou 34 dias, realizado em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. O Tribunal de Justiça (TJ), em Curitiba, atendendo recurso do Ministério Público Estadual (MPE), anulou a sentença por entender que a decisão do júri foi contrária à prova dos autos. Os jurados não teriam considerado o exame de DNA, comprovando que o corpo encontrado era mesmo o de Evandro.
A defesa entrou com recurso contra a anulação no STJ, mas o relator do processo, ministro Paulo Medina, recusou. Um novo julgamento foi marcado para 16 de maio deste ano, mas foi suspenso por decisão também de Medina, que concedeu liminar em pedido de habeas corpus feito pelo advogado Antonio Nabor Areias Bulhões, que representa Celina e Beatriz, em Brasília.
Segundo a assessoria de imprensa do STJ, o ministro suspendeu o segundo julgamento por entender que submeter as acusadas a novo júri, quando há séria dúvida sobre a materialidade do crime, pode representar falta de justa causa e é motivo de constrangimento ilegal.
Na época da anulação do segundo julgamento, o promotor de Justiça, Paulo Sérgio Markowicz de Lima, um dos representantes da acusação, afirmou que contataria o Ministério Público Federal (MPF) para analisar a cassação da liminar. Já a defesa acreditava que o STJ poderia concluir pela extinção do processo por falta de provas de autoria.

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