Marcos NegriniAdeval Delmiro foi ameaçado de perseguição pelos invasores e diz que não voltará a morar na fazendaMedo. Este é o sentimento de caseiros das fazendas invadidas por trabalhadores sem terra. Na invasão da fazenda São José, conforme relato do caseiro Adeval Delmiro, 55 anos, os sem-terra teriam se apossado da sede, mantendo-o preso por quase quatro horas sob ameaça de um facão. ‘‘Eles fizeram eu sentar numa cadeira e colocaram um facão no meu pescoço para me ameaçar, dizendo que, se eu saísse da fazenda e fizesse qualquer denúncia, eles iriam me perseguir’’, disse. Ainda segundo Delmiro, os sem-terra sabiam que ele tem dois filhos e estenderam as ameaças à família do caseiro. ‘‘Eles disseram que se eu fizesse alguma coisa, os meus filhos iam pagar por isso’’.
Depois das ameaças, conforme Delmiro, os sem-terra teriam dito que, se ele quisesse, poderia sair da fazenda e denunciar a invasão. ‘‘Eles me liberaram em seguida, só que eu não saí da fazenda porque fiquei com medo’’, desabafou. No quarto dia após a invasão os sem-terra, ainda de acordo com Delmiro, obrigaram ele e a família a deixar a propriedade. ‘‘Eles perceberam que eu estava vendo tudo o que eles faziam aqui na fazenda e então falaram que eu tinha que sair. Disseram que se eu não saísse iam jogar a minha mudança na estrada’’.
Delmiro e a família estão morando em Marilena. Apesar dos sem-terra já terem deixado a fazenda, ele disse que não pretende voltar a morar na propriedade. ‘‘Tenho medo porque eles (sem-terra) estão por perto. (L.P.)

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