Luiz Carlos CadiniCalmariaGuichês da prefeitura, que antes viviam lotados de servidores, ficaram praticamente vaziosEm menos de três semanas de mandato da nova administração, a Prefeitura de Cascavel pagou todos os salários dos servidores municipais, que estavam atrasados desde outubro, com desembolso de aproximadamente R$ 4,1 milhões. As últimas liberações de cheques ocorreram no final da tarde de segunda-feira. Ontem, os guichês da prefeitura estavam vazios, depois de grande conturbação nos dias anteriores, com imensas filas de funcionários.
O secretário de Finanças, Arnaldo Curioni, disse ontem que não houve ‘‘nenhuma mágica’’ para chegar à situação de tranquilidade. ‘‘Antes os servidores estavam em pé-de-guerra e agora, em poucos dias, exercem tranquilamente suas funções’’. A prefeitura obteve um empréstimo de R$ 3,7 milhões no Banestado (com autorização do Banco Central). Para isso, teve que comprometer a receita do ICMs na fonte, destinando R$ 3,5 milhões a salários e o restante ao pagamento de contribuições previdenciárias.
Para completar os pagamentos, foram utilizados mais R$ 614 mil de receita própria acumulada nas primeiras semanas. Foram colocados em dia os salários inclusive de servidores da Câmara, R$ 300 mil, além de trabalhadores de autarquias, pagos por convênio (Apae, Apmi e outras) ou de terceirização.
Falta ainda pagar contratos individuais, rescisões feitas há vários vezes e não completadas e principalmente R$ 106 mil devidos aos vereadores. Ao final de todo o desembolso, terão sido gastos R$ 4,39 milhões - além de R$ 182 mil ao INSS. Para completar, a disposição da Prefeitura é de pagar em dia os salários daqui para a frente, começando pelo de janeiro.
Segundo Arnaldo Curioni, a questão do funcionalismo foi colocada como ‘‘prioridade absoluta’’ porque de outra forma a administração municipal teria dificuldades para deflagrar ‘‘algumas ações fundamentais’’.


Prefeitura obteve
um empréstimo de R$
3,7 milhões
no Banestado

O prefeito Salazar Barreiros quer ‘‘qualidade e produtividade’’ nos serviços e diz que passará a exigi-las como contrapartida ao ‘‘gigantesco esforço’’ do Município, representado pela superação dos problemas de vários meses em apenas vinte dias. Salazar terá à disposição mensalmente R$ 3,5 e R$ 3,7 milhões de receita própria, para salários, manutenção da estrutura, complementação de obras e novos projetos.
A arrecadação de um mês está comprometida com o empréstimo contraído no Banestado, que será pago com amortização mensal, ‘‘mas de qualquer maneira diminuindo as possibilidades de novas ações’’, frisa Arnaldo Curioni. Entre todos os municípios do Oeste paranaense, de porte semelhante, Cascavel é o primeiro das novas administrações a ‘‘zerar’’ dívidas emergenciais, principalmente com o funcionalismo.
Uma das situações mais delicadas ocorre em Toledo (47 quilômetros a Oeste de Cascavel), onde os servidores não sabem quando receberão os pagamentos dos últimos cinco meses de 96, que, somados a complementos (previdenciários, vales-mercado e outros), somam R$ 6,5 milhões.
O presidente do Sindicato dos Professores de Cascavel, Claudionor Pereira, disse ontem que a prefeitura pode passar a exigir qualidade e produtividade no serviço público ao contemplar os direitos dos servidores, o principal deles salários. ‘‘Quem paga pode exigir’’, disse. Os professores foram os que mais se mobilizaram durante vários meses ao final de 95, pressionando o ex-prefeito aos pagamentos. ‘‘Salazar Barreiros têm compromissos conosco, inclusive de reposição de perdas salariais, de 25% a partir de abril de 95, e implantação do Plano de Cargos e Salários em maio’’, disse Claudionor.
Os professores já começam a discutir com a prefeitura um programa de qualidade total na educação. Claudionor Pereira disse que os problemas acumulados em 95, em relação aos salários, têm origem em gastos superiores à arrecadação. ‘‘Era facilmente comprovável nos balancetes mensais da prefeitura, e, ao final, faltava credibilidade ao Município para tentar empréstimo para regularizar a situação’’. Segundo ele, também houve ‘‘inchaço da máquina’’, com pagamentos feitos a quase 3,7 mil pessoas, quando no início da administração eram cerca de 2,7 mil. Hoje, com desligamentos de temporários, são cerca de 3,3 mil pagamentos.

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