Paulo Pegoraro
De Cascavel
A Câmara Municipal de Cascavel rejeitou o mototáxi na cidade. A sessão foi tumultuada e marcada por acusações e protestos dos mototaxistas, que dividiram o plenário com taxistas e funcionários de empresas do transporte coletivo urbano. As empresas de ônibus e os taxistas são acusados de fazer lobby contra o serviço por causa da concorrência nos preços.
Os mototaxistas acusaram os vereadores de os obrigar a trabalhar na clandestinidade. ‘‘Vamos continuar mesmo fora da lei, uma vez que não há outros empregos na cidade’’, disse Juarez Rodrigues, presidente da Associação dos Mototaxistas de Cascavel.
O projeto de lei foi de autoria do vereador João Lima (PSDB) e subscrito por outros quatro vereadores. Um deles, Jovani Donizete da Silva (PTB), acabou votando a favor do parecer da Comissão de Justiça, pela inconstitucionalidade de uma lei municipal que regulamentasse o serviço.
O presidente da comissão é Aderbal Mello (PT) que, apesar de argumentação diferente da própria subseção da Ordem dos Advogados, e individualmente de vários advogados locais, apresentou o parecer e o defendeu. Por isso, foi acusado pelos mototaxistas de ‘‘votar contra os trabalhadores’’.
O parecer foi aprovado por 19 votos, contra 3, resultando automaticamente na eliminação do projeto de lei. Havia cerca de 120 pessoas na Câmara. Os mototaxistas insultaram os vereadores e um deles subiu em uma cadeira e gritou: ‘‘Vocês nos negam o direito ao trabalho. Rezem para que amanhã não estejamos assaltando suas casas ou vendendo drogas para seus filhos, que é isso que vocês parecem querer’’.
Na saída, os mototaxistas fizeram um ‘‘buzinaço’’ e entraram em rápidos conflitos com taxistas enquanto desmontavam barracas que há duas semanas haviam armado em frente à Câmara.
Alguns vereadores disseram que donos de empresas de ônibus puxaram o lobby contra o mototáxi porque o número de passageiros dos coletivos vinha caindo nos últimos meses. A tarifa do ônibus é de R$ 0,85, enquanto as motos cobram R$ 2,00 a corrida para qualquer lugar da cidade.
O serviço de mototáxi operava com 180 trabalhadores, inicialmente amparado por uma liminar da Comarca local que depois foi cassada no Tribunal de Justiça em recurso da prefeitura.

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