Paulo Pegoraro
De Cascavel
O número de natimortos (bebês que nasceram mortos) sepultados em cemitérios de Cascavel não diminuiu ao longo dos anos, embora a realização de projetos com este objetivo, de órgãos públicos e entidades não-governamentais. Levantamento obtido pela Folha aponta que mensalmente, neste ano, têm sido sepultados seis natimortos, o que projeta 72 casos até o final do ano. No ano passado foram 71 casos. A origem dos natimortos está principalmente na condição de miséria das famílias, com desnutrição de gestantes e falta de exames pré-natais, o que leva à má formação dos fetos.
O levantamento se refere aos primeiros nove meses do ano (período disponível) e apenas a sepultamentos nos três cemitérios existentes na cidade, por isso os números podem ser ainda mais preocupantes, uma vez que nascidos mortos podem ser sepultados em outras cidades de origem de seus pais. No total, foram 53 casos, com média mensal próxima a 6, mas em março, maio e julho, o número subiu para 8 ao mês. A média só não é substancialmente elevada porque em janeiro, fevereiro e agosto, foram 4 casos mensais. Os números foram obtidos na Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários de Cascavel (Acesc).
Arquivos da Folha mostram que há 6 anos a mesma fonte havia indicado o sepultamento de 65 natimortos, com média mensal próxima a 5 casos, portanto inferior a atual. Os índices são elevados embora tentativas de órgãos públicos e entidades da área de Saúde de reduzí-los, com ações voltadas às gestantes e ao combate à miséria. Uma das sepulturas do Cemitério São Luiz, na zona leste da cidade, é exemplo de causa comum da mortalidade natal: na lápide, o nome de M.S.R., do sexo feminino, vítima de anoxia fetal (deficiência de oxigênio nos órgãos ou tecidos).
A coordenadora regional da Pastoral da Criança, Seni Sabina, afirma que a principal origem dos natimortos é ‘‘a miséria que prolifera, com consequente desnutrição das gestantes e falta de exame pré-natal’’. Segundo ela, a maior parte dos casos poderia ser evitada se as mães transmitissem saúde aos filhos que gestam e, para isso, ‘‘é fundamental a realização de exames periódicos’’, que podem levar à prevenção de doenças congênitas. Com relação à alimentação, a superação do problema é mais difícil, mas os exames são ofertados pelos postos de Saúde e podem detectar com antecedência o risco de óbito do feto – e da própria gestante.

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