Lideranças políticas e empresariais de Cascavel querem uma garantia do governo estadual de que não haverá adiamento no projeto do novo aeroporto regional, uma parceria entre Município, Estado e União. O projeto foi lançado no final de 1997 pelo governador Jaime Lerner (PFL), com a assinatura de decreto declarando de utilidade pública a área escolhida, na zona norte de Cascavel, próximo da divisa com Toledo. A previsão de investimento é de R$ 25 milhões. A pista terá 3,8 mil metros de extensão, em condições de permitir a operação de vôos internacionais, em alternativa ao aeroporto de Foz do Iguaçu.
Nos últimos dias, houve especulações de que dificuldades financeiras estariam fazendo o governo adiar o projeto, por enquanto na fase de desapropriações da área. As especulações surgiram depois que o presidente da Agência de Fomento do Paraná, o cascavelense Ibrahim Faiad, participou de reunião da Associação Comercial e Industrial (Acic), na qual o projeto foi discutido. Alguns empresários presentes deixaram ‘‘vazar’’ a informação de que Faiad teria dito que haveria dificuldades para cumprir prazos para início e conclusão da obra. Faiad desmentiu ter feito qualquer declaração neste sentido.
Ele assegurou que o projeto avança e que a demora é própria da fase de desapropriação. No entanto, o presidente da Acic, José Filippon, reafirmou, em nota oficial, que Faiad disse que o Estado ‘‘não disporia, no momento, dos recursos com que contava’’. O governo assumiu as desapropriações, de 402,8 hectares, com custo de R$ 2,84 milhões. Documento da Secretaria dos Transportes revela que mais de 78% da área já tem processo de desapropriação concluído, referente a cinco proprietários, e está sendo encaminhado o processo dos demais 88 hectares, de onze proprietários, inclusive com possibilidade de recursos judiciais, caso não haja acordo.
Segundo a secretaria, também estão concluídos o Estudo e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA e Rima), que agora esperam aprovação do Instituto Ambiental do Paraná. A seguir, virá a licitação para obra, com início previsto ainda para este ano e prazo de 4 anos para conclusão. O prefeito Salazar Barreiros (PPB) considera as especulações surgidas como ‘‘extremamente negativas’’, procura desqualificá-las, mas ao mesmo tempo demonstra preocupação em obter do Estado a ‘‘garantia definitiva’’. Salazar seguiu ontem à tarde para Curitiba, para tratar do assunto.
O prefeito lembra que, quando foram iniciadas discussões sobre a localização do aeroporto, ‘‘outras forças da região se mobilizaram’’ para que o local escolhido contemplasse geograficamente municípios vizinhos - por isso acabou sendo escolhida uma área entre Cascavel e Toledo. ‘‘Depois disto, ficamos sozinhos na sustentação ao projeto,’’ lamenta.
O Estado terá que investir ainda R$ 4,7 milhões na terraplenagem da área. A maior parte dos investimentos do governo federal virá através do Ministério da Aeronáutica. ‘‘Já há previsão orçamentária, portanto, com fonte de recursos definida’’, frisa Salazar Barreiros. A necessidade de um aeroporto de grande porte na região é justificada pelo prefeito pelo fato de Cascavel ocupar ‘‘espaço importante no âmbito do Mercosul’’, e de que, para a implantação de indústrias, por exemplo, é fundamental a existência de meios de transporte eficientes.

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