Paulo Pegoraro
De Cascavel
Por determinação judicial, foram incineradas ontem drogas e entorpecentes que estavam ‘‘lotando’’ uma sala da 15ª Subdivisão Policial (SDP) de Cascavel, o que não era feito desde 1994. A manutenção de drogas e entorpecentes em delegacias é uma situação de risco. Na 15ª Subdivisão Policial um inquérito apura o ‘‘sumiço’’ de aproximadamente 23 quilos de cocaína que estavam na delegacia da vizinha cidade de Lindoeste.
A juíza Elizabeth Rocha, da 1ª Vara Criminal, que acompanhou a operação, juntamente com funcionários da Vigilância Sanitária Municipal, explicou que a queima deve ser feita a partir da finalização de inquéritos ou ações penais sobre tráfico. Mas também pode ocorrer quando há grandes volumes de drogas armazenados, neste caso guardando-se pequena quantidade para conclusão dos processos.
Na Comarca de Cascavel, há cinco processos sobre tráfico não concluídos. Um deles refere-se à cocaína apreendida há 8 meses em um posto da Polícia Militar Rodoviária, na PR-182, proximidades de Lindoeste. A droga, vinda do Paraguai, foi levada pelos patrulheiros para a Delegacia de Polícia para posterior transferência a Cascavel, mas desapareceu pela manhã.
As portas da delegacia e da sala do escrivão tinham sinais de arrombamento, que teria ocorrido na noite anterior – quando não havia nenhum policial de plantão. Segundo o delegado Nobuo Nagasse, da 15ª SDP, até agora não há nenhuma pista sobre quem teria roubado a cocaína. Os 23 quilos foram o maior volume individual apreendido nos últimos anos na região de Cascavel – rota tradicional do tráfico para o Sul do País.
Ontem foram queimados 1.784 quilos de maconha, 8 quilos de haxixe, pequena quantidade de crack, e também foram destruídos 471 frascos de lança-perfume. Para a incineração foram utilizados fornos de uma empresa secadora de cereais, na região central da cidade.

mockup