Cascavel perde peça por falta de uso
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 1997
Paulo Pegoraro Sucursal de Cascavel 
Edson MazzettoEnterradaO diretor do HRC, Marcos Horikawa, na frente da casamata onde está guardada a bomba de cobaltoEstá chegando ao fim a vida útil de uma pastilha radioativa - avaliada em cerca de R$ 80 mil - que alimentaria a bomba de cobalto doada há cerca de 3 anos à União Oeste Paranaense de Combate ao Câncer (Uopeccan). Assim como a bomba, ela nunca foi utilizada por causa de conflitos de interesses e disputas pela exploração econômica do serviço de tratamento de câncer na cidade.
Enquanto isso, centenas de doentes de câncer da região Oeste são obrigados a procurar tratamento em Curitiba ou Londrina, únicas cidades do Estado que tratam a doença. A bomba, que custa aproximadamente R$ 500 mil, permanece desativada em uma casamata, no Hospital Regional de Cascavel (HRC).
Depois de tanta luta para consegui-la, só restam desculpas as mais diversas para que o serviço não opere, lamenta o empresário Sérgio Donadussi. Com o passar do tempo, os problemas que envolvem o equipamento se acumulam.
Um deles é o término do contrato de um radioterapeuta e de um físico, responsável técnico pela bomba junto à Comissão Nacional de Energia Nuclear, em outubro do ano passado. Isso levou a Vigilância Sanitária da 10ª Regional de Saúde a cassar a licença sanitária do equipamento, por falta de um responsável pelos componentes. A informação é do médico Marcos Horikawa, diretor geral do HRC e da Regional. A cassação da licença seria apenas preventiva. Não existe risco para a saúde pública, assegura.
O diretor afirma haver relatórios garantindo não haver perigo, feitos por físicos da Secretaria de Saúde do Estado e do Hospital Erasto Gaertner, de Curitiba. Apesar disso, o vereador Aderbal de Mello (PT) apresentará hoje na Câmara pedido formal de explicações sobre as condições de segurança do equipamento. Não há ninguém que possa responder oficialmente pelas condições de segurança do equipamento, o que por si já é uma situação de risco, alega.
Como se não bastasse, existe uma polêmica a respeito de exigência do Ministério da Saúde de que o serviço de radioterapia seja licenciado apenas em conjunto com quimioterapia (tratamento com medicamentos) e braquiterapia (para o câncer ginecológico). Segundo Horikawa, o componente para a braquiterapia custa R$ 250 mil, enquanto a Uopeccan sustenta que este é o custo de um equipamento sofisticado, de alta voltagem, mas poderia ser utilizado um mais simples, com custo de R$ 30 mil. Também há conflito sobre a licença definitiva para a operação e credenciamento junto ao Sistema Único de Saúde (SUS).


