Entidades comunitárias de Cascavel estão se manifestando e apelando à Secretaria de Segurança Pública para que órgãos policiais locais não sejam submetidos a ingerências políticas. As últimas semanas foram conturbadas, com tentativas lideradas pelo deputado e radialista Tiago de Amorim Novaes (PPB) de afastar o delegado-chefe da 15ª Subdivisão Policial (SDP), Luiz Alberto Cartaxo, que assumiu o cargo no dia 20 de abril, sem seu ‘‘apadrinhamento’’. O secretário Cândido Manoel Martins de Oliveira telefonou na noite de anteontem para Cartaxo, e deu entrevista ontem em Curitiba, assegurando que ele permanecerá no cargo.
Já se manifestaram a subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Associação dos Jornalistas e entidades ligadas ao empresariado que têm como um dos contatos no governo o cascavelense Ibrahim Faiad, presidente da Agência de Fomento do Paraná. A Associação dos Jornalistas (AJC) emitiu nota oficial pedindo ao governo que assegure ‘‘a ordem e a tranquilidade’’ na segurança pública. ‘‘A comunidade, há muito, se sente submetida ao cabresto da marginalidade e às ingerências espúrias, onde os interesses e o detestável mando político tentam se sobrepor às aspirações da comunidade’’. A AJC lembra que a missão da polícia é defender a população ‘‘e não atender interesses de pessoas ou grupos’’.
O prefeito Salazar Barreiros (PPB) disse que não lhe interessa ‘‘ingerir em indicação de delegado’’, cabendo-lhe apenas a ‘‘obrigação’’ de exigir que a Polícia ‘‘dê tranquilidade à população’’. Salazar observou ainda que o governo fez um acordo com deputados que lhe dão sustentação política (como Novaes), dando-lhes o direito de indicar os detentores de cargos de confiança, como chefes de subdivisões policiais. Mas o conflito gerado a partir da posição assumida por Novaes está resultando ‘‘em intranquilidade’’, disse o prefeito. O delegado Luiz Alberto Cartaxo relata que, desde que assumiu o cargo, vem tendo ‘‘dias de muita turbulência’’.
No telefonema que fez a Cartaxo, o secretário Oliveira disse que ele permanecerá no cargo, enquanto isso interessar aos planos da Secretaria de Segurança. Ontem, em entrevista na Capital, Oliveira reafirmou isso e acrescentou que, embora aceite a participação de políticos em discussões sobre a segurança pública, ‘‘há questões que têm que ser decididas tecnicamente’’. Este seria o caso da 15ª SDP, onde delegados e investigadores foram acusados de envolvimento com ilícitos e crimes, o que motivou a mudança da chefia e vários auxiliares. Ontem, Tiago de Amorim Novaes disse que ‘‘a partir de agora o problema passa a ser de inteira responsabilidade da secretaria’’.
Osnildo O delegado Osnildo Carneiro Lemos, que foi substituído na chefia da 15ª SDP por Luiz Carlos Cartaxo, e que contava com a ‘‘simpatia’’ do deputado Tiago de Amorim Novaes, permanece na cidade, esperando designação para outra função. Osnildo é um dos delegados que respondem processo, a partir de denúncia do Ministério Público (MP) estadual, apenas sob acusação de acobertamento à usurpação da função policial por Ivan Serafim Borges, contra quem já houve acusações em outras comarcas. O MP federal acusa investigadores (afastados da 15ª SDP) de envolvimento no golpe ‘‘3x1’’ e extorsão contra compristas.

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