Paulo Pegoraro
Entidades comunitárias de Cascavel estão pedindo à Polícia Militar que deixe de lado ações classificadas como educativas para conscientização de motoristas e adote a ‘‘impunidade zero’’ no trânsito, com rigorosa perseguição a infratores que têm provocado acidentes graves, inclusive com mortes. A novidade entre jovens e adolescentes é a ‘‘roleta da morte’’: geralmente embriagados ou drogados, eles atravessam preferenciais em alta velocidade com seus carros, para ver quem consegue (ou não) passar sem atingir outros carros. Há poucos dias, um rapaz morreu ao ter seu carro abalroado por um grupo supostamente praticante da ‘‘roleta’’.
O pedido da ‘‘impunidade zero’’ está sendo formalizado pelo Conselho Comunitário de Segurança (Comseg) e Associação Comercial e Industrial de Cascavel (Acic), que são tradicionais colaboradores da polícia. Os presidentes do Comseg, advogado Marcelo Nowacki, e da Acic, empresário José Filippon, afirmam que o Código de Trânsito Brasileiro causou ‘‘impacto inicial’’ e foi acompanhado de ‘‘campanhas de conscientização’’ dos motoristas. ‘‘Hoje, o código já não é mais fator de inibição para conter abusos nas ruas e estradas, por isso é hora de agir com o rigor da lei’’, acrescentou Filippon.
As entidades cobram ações enérgicas, oferecem respaldo para autuações em larga escala, quando necessário, e para a realização das blitze de dia e à noite. O tenente-coronel Ailton Lino da Silva, comandante do 6º Batalhão de Polícia Militar (BPM), e o comandante do policiamento urbano capitão Gilberto Serpa, se comprometeram a implementar as medidas. A Acic e o Comseg também estão conclamando as pessoas a fazer denúncias anônimas para a PM contra infratores.
Os abusos envolvem também jovens, a partir de pontos de concentração em locais abertos - os chamados ‘‘bobódromos’’ -, onde consomem bebidas alcoólicas e drogas. A partir de um destes locais na Rua Minas Gerais, no início da madrugada do dia 3, quatro rapazes em um Pálio partiram em alta velocidade sem parar em esquinas e atingiram um Uno, matando o condutor. Depois o Pálio destruiu paredes de uma casa.
A polícia investiga o caso a partir de denúncias de familiares da vítima, de que o acidente foi deliberado - o que caracterizaria a ‘‘roleta da morte’’. Por envolver menores (de famílias tradicionais), as investigações são conduzidas sob reserva. O delegado Walter Paes Diniz, da 15ª Subdivisão Policial (SDP), informou ontem que foi colhido sangue para exames toxicológicos nos quatro rapazes e aguarda os resultados para avançar o inquérito.

mockup