Cascavel inicia programa para diminuir desemprego
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de março de 1998
Paulo Pegoraro 
Luiz Carlos CadiniSobrevivênciaPrograma de frentes de trabalho, iniciado em bairro de Cascavel: solução para amenizar criseA agência de Cascavel do Sistema Público de Emprego (Sempre) está atendendo em média 500 pessoas diariamente em busca de emprego e há um contingente de cerca de 15 mil pessoas a espera de colocação no mercado de trabalho. A prefeitura está iniciando um tímido programa de frentes de trabalho para dar renda mínima a desempregados. Inicialmente, 140 pessoas em situação mais crítica trabalharão na limpeza de calçadas e ruas.
O desemprego é expressivo, apesar da cidade ser centro regional de comércio e prestação de serviços, o que deveria colocá-la em situação menos difícil que a de localidades que dependem exclusivamente da agricultura, na qual os empregos são sazonais. A situação serve inclusive como uma das justificativas do Município para não implantar a Comissão de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon), criada em 1995.
Falam em até 20 mil desempregados. Então, a prioridade não deve ser para quem pode consumir, mas para quem não tem renda, diz o secretário de Administração, Élcio Zanato. O secretário aponta os 14 Galpões da Produção que estão sendo implantados em parceria com o Estado como uma das ações possíveis para criar empregos. As unidades serão usadas sem custo por microempresas, principalmente industriais.
Enquanto os galpões não ficam prontos, a prefeitura empreende as frentes de trabalho, que inicialmente não contemplarão sequer 1% do contingente de desempregados. A preferência está sendo dada a mutuários da Companhia de Habitação de Cascavel (Cohavel) que estejam inadimplentes e que assim poderão pagar parte das prestações. O diretor financeiro da Cohavel, Alcione Santos, informou que a inadimplência média é de 96%, entre 700 mutuários.
A expressiva inadimplência ocorre apesar das prestações serem, no máximo, de R$ 15,00. De cada devedor empregado nas frentes a companhia descontará em média 30% do que for pago: um salário mínimo. Várias mulheres que sustentam suas famílias estão sendo contempladas. Maria Aparecida Nascimento, 38 anos, dois filhos, do bairro Tarumã (zona norte), acha que enquanto estiver empregada pelo menos dará para garantir a comida e pagar algumas contas.
A prefeitura deve completar as frentes com investimento inicial de cerca de R$ 20 mil mensais. O prefeito Salazar Barreiros (PPB) afirma que o Município faz o que pode para oferecer condições de sobrevivência aos desempregados, embora o problema seja nacional. As contratações para as frentes de trabalho são feitas pela Cohavel e a execução dos serviços é coordenada pela Secretaria de Meio Ambiente, com preferência para os bairros onde morem os desempregados.


