Cascavel inicia coleta seletiva de lixo
Paulo Pegoraro
De Cascavel
Depois de quase três anos de preparação, foi iniciado ontem em Cascavel o programa Ecolixo, de coleta seletiva de lixo para reciclagem. O projeto foi desenvolvido pela Fundação Tecnológica de Cascavel e Instituto de Saneamento Ambiental da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC/PR), de Curitiba, com orientação do sanitarista Nicolau Obladen.
O Ecolixo diferencia-se de outros programas no País pela coleta dos materiais já separados e em compartimentos específicos nos caminhões, o que permite sua descarga em setores correspondentes de um Centro de Processamento e Transferência de Materiais Recicláveis. A implantação do programa, construção do centro, com 3,6 mil metros quadrados, prensas e outros equipamentos exigiram recursos de R$ 420 mil, dos quais R$ 300 mil repassados pelo governo federal.
Na fase experimental, a coleta foi iniciada em três bairros e depois será implantada em mais sete antes de atingir toda a cidade. Ontem começaram a ser distribuídos cestos para que moradores acondicionem os materiais para a coleta feita por caminhões com carroceria especialmente projetada para o programa.
O secretário de Meio Ambiente, Paulo Orso, informou que das quase 150 toneladas diárias de lixo recolhidas em Cascavel, até 25% são possíveis de reciclagem. Os 200 carrinheiros existentes na cidade passam a ser chamados de agentes ecológicos. Eles terão participação importante no programa, pois passam a trabalhar em cooperativa, com proposta de remuneração superior à que vinham tendo entregando os materiais a intermediários. O centro de processamento fará a venda diretamente para recicladores.
Alunos do ensino fundamental também estão sendo envolvidos para que atuem como agentes multiplicadores em suas famílias e bairros. Eles utilizam uma cartilha feita com papel reciclado, na qual a Cascavelita, mascote do programa, narra a história A incrível história do lixo que é de ouro, que detalha o Ecolixo e ensina as pessoas a diferenciar o reciclável e separá-lo para a coleta.
Para o prefeito Salazar Barreiros (PPB), o Ecolixo resultará em ganhos ambientais e sociais por causa do recolhimento de maior volume de lixo na cidade e ampliação da vida útil do aterro sanitário. Além disso, a reutilização de metais, plásticos, papéis e outros materiais, fez diminuir a necessidade de matérias-primas para a manufatura de embalagens e outros produtos. No aspecto social, haverá, segundo o prefeito, uma remuneração justa aos agentes ecológicos que catam plásticos, metais, papel e outros materiais.
O aproveitamento de 100 toneladas de recicláveis pode evitar a derrubada de 960 árvores, extração de 8 toneladas de areia para produção de vidro e 10 toneladas de bauxita para produção de alumínio. Estatísticas da Organização Mundial da Saúde indicam que populações de nível social e econômico mais elevado geram mais lixo, decorrência direta do melhor poder aquisitivo. No Canadá, cada habitante gera em média 1,9 quilo ao dia, e nos Estados Unidos 1,5 quilo. No Brasil, 500 gramas diários.





