Cascavel enfrenta falta de água
Paulo Pegoraro
De Cascavel
Metade dos domicílios de Cascavel deixou de ser abastecida com água pela Sanepar ontem e a situação continuará inalterada até que se restabeleça o nível dos mananciais de abastecimento, que foi reduzido pela prolongada estiagem. As últimas chuvas, apenas de média intensidade, ocorreram no início de novembro. Há muitos anos a estrutura de coleta e tratamento de água de Cascavel é deficiente, o que motiva protestos da população. Há, inclusive, projeto para municipalização do serviço na Câmara de Vereadores.
A Sanepar começou o racionamento intercalando regiões da cidade e socializando a falta de água para não penalizar apenas áreas mais altas e distantes da estação de tratamento. Ontem deixaram de ser abastecidos 35 dos 58 principais bairros (que polarizam outros) e hoje os demais não receberão água, e assim sucessivamente.
O gerente local da Sanepar, Afonso Marangoni, afirma que o rodízio foi a forma encontrada para tornar mais equitativa a oferta de água para a população. O vereador Aderbal de Mello (PT), autor do projeto para municipalização do serviço, reagiu dizendo que já que não conseguem atender a todos, a todos impõem sacrifícios.
A Sanepar alega ainda que o consumo de água cresceu muito com a chegada dos dias mais quentes e a estiagem. São 43 milhões de litros de água coletados diariamente nos mananciais de abastecimento. A empresa está acenando com a conclusão, ainda este mês, de obras de ampliação do sistema, como solução para o desabastecimento que tem se repetido constantemente na cidade.
Estão sendo investidos desde o ano passado R$ 10 milhões para ampliar a captação em 48%, a capacidade de reservação em 52%, e ainda 30 quilômetros de rede distribuidora. As últimas obras que serão concluídas permitirão captar 900 litros por hora a mais e armazenar 2,4 milhões de litros, além de estrutura complementar.
O contrato entre Sanepar e município, com duração de 30 anos, vence em 2002, e o prefeito Salazar Barreiros (PPB) já admitiu que há necessidade no mínimo, de revisão dos critérios. O vereador Aderbal de Mello, porém, defende incisivamente a municipalização.
Além disto, ontem à tarde foi entregue ao Ministério Público um abaixo-assinado com 4 mil assinaturas pedindo a formalização de uma ação pública contra o aumento da tarifa de água e esgoto (de 13%, em duas parcelas). A iniciativa foi de várias entidades de trabalhadores e da Rádio Capital, cujo diretor, Fernando Fontana, informou que hoje o aumento também será contestado junto ao Procon, a quem será entregue o mesmo abaixo-assinado. Como aumentar a tarifa, com tanta deficiência no serviço?, questionou Fontana, justificando as duas providências.





