Cascavel consegue diminuir fila de espera por córneas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de junho de 1998
Paulo Pegoraro 
A oferta de córneas para transplante em Cascavel está sendo quase que totalmente garantida, com o apoio da Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários (Acesc).
Através da autarquia municipal, são obtidas as córneas para o Banco de Olhos (BOC), formado por um grupo de oftalmologistas voluntários.
Em consequência, a fila de espera de receptores está sendo reduzida progressivamente e até mesmo pacientes de outras regiões do Estado vêm sendo atendidos.
A Acesc, cuja proposta original é a de garantir velórios e sepultamentos sem os custos comuns em funerárias particulares, decidiu no final do ano passado participar abertamente do trabalho de obtenção de córneas junto a familiares de pessoas a serem sepultadas.
Desde que esta decisão foi tomada, o õrgão conseguiu a obtenção de 127 córneas, o que corresponde a mais da metade das 248 já transplantadas pelo Banco de Olhos de Cascavel desde sua criação, em 1996.
O presidente da Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários, Sérgio Mariotto, diz que os funcionários da autarquia foram preparados para conversar com os familiares.
A tarefa requer muita sensibilidade pela situação que envolve a família, explicou o presidente da Acesc. Mas a receptividade tem sido gratificante, pois revela a conscientização das pessoas, complementou.
Ao mesmo tempo, foi instalada estrutura na própria sede da Acesc, para permitir aos oftalmologistas a retirada das córneas no local.
Conseguida a autorização da família, por escrito, os funcionários imediatamente comunicam o Banco de Olhos e um profissional é enviado para o procedimento cirúrgico.
São realizados testes de hepatite, HIV, sífilis e doença de Chagas para avaliar o estado de saúde do doador.
Caso não seja detectado nenhum problema, as córneas são então destinadas para quem está em primeiro na lista de receptores.
Com a participação da Acesc, esta lista foi reduzida de 200 para apenas quarenta pacientes.
O oftalmologista Romeu Tolentino, um dos fundadores do Banco de Olhos, afirma que o BOC é o que mais realiza transplantes no Estado, depois de Curitiba.
Outro profissional, César Bressanin, relata que com o apoio da Acesc, 80% dos transplantes feitos pelo BOC são gratuitos, beneficiando pacientes carentes.
Quando as córneas não são compatíveis com pacientes locais, elas são destinadas para outras regiões onde há pouca disponibilidade e longas filas de espera.
O fornecimento, neste caso, é feito até mesmo para estados vizinhos e cidades das fronteiras da Argentina e do Paraguai, o que, segundo os oftalmologistas, torna Cascavel referência na área de transplantes de córneas.
O Banco de Olhos é formado por dez oftalmologistas voluntários e atua com apoio do Lions Clube, através de seus programas de serviços à comunidade. O Lions, inclusive, cede uma sala para o funcionamento do BOC.


