Paulo Pegoraro
De Cascavel
O prefeito de Cascavel, Salazar Barreiros (PPB), entregou ontem à Polícia Civil o relatório das primeiras investigações sobre desvio de dinheiro de tributos municipais, principalmente o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), indicando valores desviados e nomes de servidores e contribuintes envolvidos.
O relatório refere-se apenas aos dois primeiros meses investigados, nos quais os prejuízos aos cofres públicos são de aproximadamente R$ 200 mil. Como a investigação será retroativa até o início de 1997, os prejuízos devem ser bastante altos.
No dia 29 de junho, ao anunciar a descoberta do crime contra os cofres públicos (com desdobramentos para estelionato e concussão), o prefeito disse que assim que fossem concluídas as primeiras investigações internas, divulgaria a relação de envolvidos.
Ontem, porém, disse que isso poderia ‘‘prejudicar’’ o inquérito policial, aberto a pedido do Ministério Público (MP). ‘‘Poderíamos ser responsabilizados judicialmente’’, disse o procurador jurídico do Município, Gilberto Gonzaga. O delegado Nobuo Nagase disse que o inquérito ‘‘é sigiloso’’.
‘‘Nós apenas conferimos a situação dos tributos e não estamos acusando, julgando ou condenando ninguém’’, disse o prefeito. Por isso, em tese, a divulgação não implicaria em crime. Salazar havia dito no final de junho que, além de servidores, estavam envolvidas ‘‘pessoas muito conhecidas’’.
Até agora, foram afastados apenas quatro servidores da Secretaria de Finanças. Segundo o prefeito, os funcionários procuravam devedores ou eram procurados para quitar carnês, mediante o pagamento de valores bem inferiores aos devidos.
A prefeitura descobriu o esquema porque o dinheiro das baixas não aparecia no caixa. Um indicativo da extensão do crime está no fato de que a prefeitura recebeu em março mais de R$ 1 milhão abaixo do que projetava de recebimento da cota única do IPTU, o que pode indicar que houve maciça quitação irregular de carnês.
Nos dois primeiros meses apurados, há mais de 70 envolvidos. De apenas um deles, foram quitados mais de R$ 15 mil. Eles terão débidos relançados e responderão por sonegação e estelionato - os servidores, por concussão (crime cometido no exercício do cargo público).

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