Marcos Zanatta
De Maringá
Moradores do início da Rua Alecrin, no Conjunto Borba Gato, em Maringá, foram orientados pelos bombeiros a deixar suas casas, ameaçadas de desabar. O problema maior está em sete casas, todas com rachaduras que comprometem a estrutura de parte do imóvel. As casas foram vistoriadas ainda pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), e por engenheiros da prefeitura. ‘‘Estamos apavorados e eu estou mudando hoje mesmo’’, disse ontem a dona de casa Maria de Fátima Santana, no meio da mudança. A casa dela tem rachaduras com mais de 10 centímetros dividindo a cozinha dos outros ambientes.
As rachaduras, segundo ela, apareceram há pelo menos um ano. Na quinta-feira da semana passada, durante uma chuva com ventos fortes, a família ouviu um estrondo. ‘‘Era a parte ampliada da casa se separando do resto’’, contou. Maria de Fátima diz que a ampliação da casa foi feita há mais de 10 anos e nunca apresentou problemas. ‘‘As rachaduras começaram depois da construção da escola, atrás das casas’’, afirmou.
Na casa do estudante Douglas Ueno o problema é o mesmo. As rachaduras estão dividindo o imóvel. ‘‘Minha avó dormia no quarto dos fundos quando rachou. Ela foi para a casa de um tio’’, disse. Ueno mora no imóvel há 17 anos e ampliou a casa há cerca de 12 anos, sem nunca ter enfrentado nenhum problema estrutural. ‘‘Não sei se a construção da escola tem a ver, mas os responsáveis deveriam pelo menos ver o que está acontecendo’’, afirmou. Ele afirma ainda que se tiver que deixar a casa, como orientam os bombeiros, vai pedir indenização.
A engenheira Simone Honorato, uma das responsáveis pela obra da escola, garante que a construção não afetou as casas vizinhas. ‘‘O laudo do Corpo de Bombeiros comprova isso’’, disse. Segundo Simone, as rachaduras dos imóveis, todos ao lado do muro da escola, foram provocadas por problemas de escoamento da água das chuvas. ‘‘Os proprietários ampliaram as casas sem projeto, o que agravou a situação’’, explicou. Ontem, escoras seguravam o muro pelo lado de dentro da escola.
‘‘Por infelicidade nossa os problemas nas casas apareceram justamente durante a obra’’, afirmou. O 5º Grupamento de Bombeiros informou à Folha que foi feita vistoria nas casas para medir o risco de desabamento, e que o laudo não aponta as causas das rachaduras. Na prefeitura a informação é que os peritos apenas visitaram as casas. No Crea, a informação é que o técnico verificou somente se a obra da escola tem engenheiro responsável.

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