Casas são devolvidas a Dito Quati
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quinta-feira, 09 de outubro de 1997
Paulo Ubiratan 
Londrina
O juiz da 5ª Vara Criminal de Londrina, Sérgio Gomes Alves, revogou o sequestro das duas mansões do traficante Benedito Carlos Clausen, 54 anos, conhecido como Dito Quati. Ele foi preso pela Polícia Federal de Londrina junto com sua família, em julho de 1995, em um sítio no distrito rural de Lerroville, onde refinava cocaína. Clausen foi prefeito de Platina (SP), onde possui diversas propriedades.
A promotora da Vara da Infância e Juventude, Solange Vicentin, disse que estranhou a revogação do sequestro e, ao mesmo tempo, ficou frustrada. Nós já tínhamos definido, junto à União, que uma das casas seria ocupada para recuperar menores viciados em drogas. Havíamos conseguido toda a infra-estrutura para colocar o projeto em funcionamento ainda neste mês, afirmou.
Este tipo de doação não seria inédito no Brasil. Normalmente, os bens confiscados de traficantes (armas, barcos, carros, avião, dinheiro) são repassados para a Polícia Federal, através do Conselho Federal de Entorpecentes (Confen). Os imóveis (casas, sítios, edifícios) são entregues para que as entidades especializadas implantem centros de recuperação e tratamento de viciados em drogas.
A promessa para que fosse instalada a casa de recuperação foi feita pela Secretaria do Patrimônio da União. A Folha tentou falar com o juiz Sérgio Gomes Alves após o expediente de ontem, mas ele não foi encontrado no Fórum.
O sequestro dos bens de Dito Quati foi feito pelo juiz Luis Fernando Keppen, que substituía Gomes Alves. Na época, seus bens em Londrina foram avaliados em aproximadamente R$ 4 milhões pela Polícia Federal. A casa que serviria para recuperação dos menores está localizada na rua Charles Lindemberg, 155, jardim Califórnia (zona leste) e possui 260 metros quadrados de área construída.
A outra residência tem 600 metros quadrados, piscina e outras benfeitorias. Ela está localizada em uma das áreas mais valorizadas de Londrina, na rua Samuel Wainer, 120, jardim Tucanos (zona sul). O juiz também havia sequestrado um carro Golf, um Opala, um Gol GTI, um Monza, dois barcos de alumínio, dois motores de popa de 90 HP cada um, uma camionete F.1000 e outra D-20.
A promotora Solange Vicentin espera agora que o sítio onde estava instalada a refinaria de cocaína não seja devolvido ao traficante. Neste sítio pretendemos instalar um local de internação para atender menores viciados. Também já temos promessa da União para nos entregar o local. O Governo do Estado prometeu dar toda a infra-estrutura necessária e até o fim do ano o centro deverá estar funcionando, comentou.
O delegado Sérgio Fidélis, que na época das prisões comandava a Polícia Federal em Londrina, disse que havia feito um levantamento na vida pregressa da família Clausen e descobriu que há mais de cinco anos nenhum deles tinha carteira de trabalho assinada. Isto representa que todo o patrimômio que conseguiram neste espaço de tempo foi por intermédio do tráfico e o refino de cocaína, comentou. Fidélis garantiu na época: Pela lógica jurídica, todo o patrimônio de Dito Quati deveria ser sequestrado.
A pedido do promotor Raimundo Nogueira Soares, que atendia a 5ª Vara criminal, o Tribunal de Justiça (TJ), em Curitiba, aumentou a pena de Dito Quati, de oito para 13 anos, e de toda sua família. Raimundo foi atendido pelo TJ, ao pedir a condenação de todos os réus e que eles fossem enquadrados por formação de quadrilha. O juiz Sérgio Gomes Alves, em sua sentença da época, havia tido uma posição diferente. Ele chegou a liberar a nora do traficante, Lúcia Helena.


