Rubens Burigo Neto
De Curitiba
Depois de investir muito dinheiro para que seus bares e danceterias tenham equipamentos sonoros e decoração de ‘‘primeiro mundo’’, os empresários de Curitiba passaram a realizar campanhas pedindo silêncio do lado de fora de suas casas noturnas. ‘‘Nosso maior problema é a aglomeração e o barulho provocado pelo comércio ambulante que acaba se instalando perto das casas noturnas mais famosas da cidade’’, justificou o dono da casa de espetáculos Fórum, Michel Zambon.
Desde setembro do ano passado, explicou o empresário, os panfletos com a programação da casa alertam os frequentadores para preservar o silêncio na entrada e na saída dos shows. Zambon disse que também são exibidas mensagens nos telões e em placas de advertência. Há mais de um ano a estratégia é seguida por Gustavo Zeuffo, sócio do bar Churrasquinho de Gato, que funciona no bairro Água Verde. ‘‘Percebemos que o barulho provocado pelos nossos clientes nas ruas próximas ao bar diminuiu desde que começamos a campanha pelo silêncio’’, revelou.
Mas o presidente da Associação de Defesa do Direito ao Silêncio (Adds), José Fiori, não acredita no sucesso dessas iniciativas. ‘‘A causa do barulho fora das casas noturnas é o som tocado além do limite estabelecido por lei dentro de bares e boates’’, criticou. Fiori garantiu que a entidade não vai medir esforços para conseguir que a poluição sonora seja tipificada como crime ambiental. ‘‘Não somos contra quem se diverte. Mas é preciso que se cumpram as determinações da lei municipal (número 8.583/95), multando e fechando estabelecimentos que provocam prejuízos à saúde humana.’’
De acordo com a chefe da Divisão de Fiscalização e Controle de Poluição da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Adriana Kobiyama, das 80 reclamações mensais contra casas noturnas, aproximadamente 20 se referem às algazarras provocadas do lado de fora de bares, boates ou danceterias.