Casas no entorno do aeroporto viram mocó
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quarta-feira, 26 de setembro de 2012
Fernanda Carreira <br> Reportagem Local 
Fogueiras improvisadas com o uso de telhas, garrafas de bebidas alcóolicas, roupas abandonadas, restos de alimentos e movimentação de andarilhos e usuários de droga durante todo o dia. Este é o cenário que tem preocupado a supervisora de atendimento Aline Carvalho e os pais dela quando caminham pela rua onde moram ou chegam do trabalho no início da noite. A família vive na Rua Jaime Americano, no Jardim Caravelle (Zona Leste de Londrina), há mais de 30 anos. No entanto, há cerca de dois meses, quando começou o processo de desapropriação de algumas casas do entorno para ampliação da pista do Aeroporto José Richa, a família e vizinhos não têm tido mais sossego.
Em toda a quadra, são dezenas de construções abandonadas que transformaram-se em mocós. A situação tem amendrontado os moradores. No entanto, eles garantem que não pretendem se mudar. O prazo para a desocupação das casas, que serão demolidas, termina esta semana.
''A situação está muito complicada. A gente não tem mais paz em casa. Quando eu chego do trabalho à noite preciso ligar antes para os meus pais me esperarem. Fora que a minha Avó de 90 anos fica sozinha o dia inteiro. E se entra alguém aqui?'', questiona Aline.
O bombeiro aposentado Wilson de Andrade, que mora com os pais próximo à casa de Aline, há 10 anos, confirma a preocupação dos vizinhos: ''Eu já vi de tudo aí, são vândalos, andarilhos e usuários de droga. E é claro que a gente fica preocupado, porque os antigos moradores só tiraram os móveis, a parte elétrica, as janelas e portas. As paredes permanecem e quem quiser se infiltrar aí, se esconde e ninguém vê'', observa.
Segundo a dona de casa Roseli Silva, também moradora antiga do bairro, algumas casas do bairro foram assaltadas nas últimas semanas. Para ela, o aumento da violência na região está diretamente relacionado à existência dos mocós. ''Eu, graças a Deus, nunca fui assaltada, mas fiquei sabendo de alguns casos. Tenho certeza que se a demolição dessas casas abandonadas tivesse ocorrido há mais tempo, assim que foram desapropriadas, isso não estaria acontecendo. O bairro sempre foi muito tranquilo, nunca tivemos problema desse tipo aqui'', lamenta.
A reportagem da FOLHA entrou em contato com o Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Idel), que é responsável pela desapropriação das casas no Jardim Caravelle (Zona Leste), e foi informada pelo presidente Nelson Brandão que a demolição das casas, em parceria com a Secretaria Municipal de Obras, começa na próxima semana.
Segundo Brandão, a secretaria ainda estaria definindo o local ideal para o despejo dos entulhos. ''Também queremos que a situação se resolva o quanto antes e estamos fazendo todo o esforço necessário para isso. Mas precisamos fazer as coisas direito'', afirmou, detalhando que o processo de demolição completo das casas desapropriadas na Rua Jaime Americano e na Avenida Salgado Filho deve durar cerca de 30 dias.
Enquanto a situação não se resolve, o secretário municipal de Defesa Social, Raul Leão Vidal, informou que enviaria uma equipe da Guarda Municipal para verificar a situação e iniciaria um patrulhamento na região ainda esta semana.


