Casas fechadas dificultam prevenção contra dengue
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segunda-feira, 15 de março de 2010
Marian Trigueiros<BR>Reportagem Local 
Campanhas visando a conscientização da população contra a dengue, certamente, nunca são demais. Ainda que o poder público faça mutirões e ações de combate ao mosquito transmissor da doença (Aedes aegypti), existem vários obstáculos a serem superados. Um deles é o índice de tendência, número que mostra a dificuldade em entrar em residências fechadas em que há moradores. O Ministério da Saúde preconiza que índice esteja abaixo de 10%, mas Londrina apresenta uma média de 26%, segundo dados da Vigilância Epidemiólogica Municipal.
Talvez até mesmo por isso três pessoas de uma mesma família que moram no Jardim Petrópolis (Zona Sul) foram acometidas pela doença. Segundo o autônomo João Carlos Orquiza, os pais e o sobrinho tiveram o diagnóstico de dengue confirmado recentemente depois de dias apresentando febre alta, fraqueza e mal-estar. Os idosos estão internados, já o sobrinho faz acompanhamento na unidade básica de saúde da região.
''Ficamos assustados e não imaginávamos que isso poderia acontecer. Até mesmo porque eles moram numa região onde há várias casas de classe média alta'', informou Orquiza. ''No entanto, percebemos que há um número grande de residências fechadas para vender ou alugar. Suspeitamos que isse possa ser a causa do problema'', acrescentou o autônomo.
O coordenador do setor de endemias do município, Elson Belisário, informou que em Londrina o índice de tendência, que mostra a dificuldade em entrar em residências fechadas em que há moradores, é de 26%. ''Apesar dos esforços, não conseguimos atingir 100% das casas. A maior dificuldade está nos conjuntos habitacionais, em que toda a família sai para trabalhar e fica fora o dia todo'', esclarece. Segundo ele, não há problema com as casas fechadas. ''Temos parcerias com as imobiliárias, que nos fornecem a chave para vistoria. Quando é de particular, também tentamos contato com os vizinhos'', explicou.
O coordenador de endimias revelou ainda que existem em Londrina 199 mil imóveis, entre residências, estabelecimentos comerciais, terrenos baldios e fundos de vale, registrados no Ministério da Saúde. ''Portanto, o índice de tendência passa de 50 mil imóveis'', acrescentou Belisário.
De acordo com Belisário, mutirões, bloqueios e aplicação de fumacê estão sendo feitos em alguns bairros da cidade. ''Conforme for surgindo a necessidade, fazemos as ações.'' Segundo ele, um mutirão foi feito na semana passada na Vila Marízia, Área Central. Ontem, um bloqueio na Vila Casoni. ''Hoje e amanhã, será nos bairros Pindorama e Saltinho. Locais que apresentaram situação preocupante.''
Até ontem, Londrina já havia confirmado cem casos de dengue, 77 autóctones (contraídos na cidade) e 23 importados, sendo que em todo ano passado foram registrados 104 casos.
''É um dado preocupante, mas a Saúde está trabalhando com mutirões e tentando alertar a população quanto a esses números que estão altos e contamos com a ajuda das próprias pessoas para que esse índice se estabilize'', explicou a diretora da Vigilância Epidemiológica, Sandra Caldeira.


