Parte da área onde foram construídas 60 unidades do programa Minha Casa, Minha Vida no Jardim Cristal, zona sul de Londrina, está cedendo. Pelo menos oito residências apresentam rachaduras nos muros. Algumas fissuras têm mais de 30 centímetros de espessura.
O que surpreende é que os imóveis são novos, entregues aos moradores no início de novembro. Os imóveis medem 38,75 metros quadrados, possuem dois dormitórios, sala, cozinha, banheiro e área de serviço externo descoberta. Das 60 casas, 17 contam com 45,77 metros quadrados e são adaptadas para pessoas com deficiência.
As residências, somadas aos 480 apartamento, integram o complexo habitacional do Jardim Cristal. O empreendimento, financiado pela Caixa Econômica Federal, custou pouco mais de R$ 2,4 milhões.
A diarista Roseli Almeida Chaves mudou-se para a região em meados de outubro e logo notou o problema. "No começou estava trincado e depois o quintal começou a ceder. Dentro da casa houve vazamento também", relatou. Ela já reclamou para a Sial Engenharia e Construções, responsável pela obra, e a Companhia Municipal de Habitação (Cohab). Houve reparo e reforço na estrutura do muro, mas insuficiente.
Outras casas apresentam o mesmo problema. "Fizeram muro de arrimo, mas o braço todo passa pelo buraco", reclamou a técnica em segurança, Josiele Tavares de Oliveira. A cada chuva a fissura aumenta mais.
A maioria das pessoas atendidas pelo programa vivia em situação de vulnerabilidade social no fundo de vale do Córrego dos Tucanos. A dona de casa Jaqueline Pires Matos vive com o marido e três filhos. "Se eu tivesse condições financeiras não tiraria meus filhos de lá (onde viviam)", lamentou.
A FOLHA entrou em contato com o presidente da Cohab, José Roberto Hoffmann, mas ele não retornou os telefonemas. Ninguém da Sial Engenharia foi localizado.

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