Carlos Almeida




DestruiçãoCasas do
Conjunto
Euzébio
de Oliveira,
em Ibaiti:
acima,
ação de
vândalos
resulta na
destruição
de janelas;
na foto inferior,
materiais
usados na
construção
são roubados



A Câmara de Vereadores de Ibaiti (80 km ao sul de Jacarezinho) está cobrando uma posição da Secretaria da Habitação do Estado e da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), sobre o destino de 75 casas do Conjunto Euzébio de Oliveira, construídas há cerca de 20 anos e abandonadas em seguida.
Algumas casas são habitadas hoje por posseiros ou servem de abrigo para mendigos. Outras estão sendo destruídas. A intenção da prefeitura e da Câmara é que o local seja transformado em vila rural. ‘‘O governo não teria gasto com a construção das casas, só uma reforma já bastaria. Além do mais a prefeitura está disposta a adquirir o terreno ao lado para a formação da vila rural’’, disse o vereador Gilmar Cândido (PFL), autor de um requerimento pedindo informações sobre o destino do conjunto.
Segundo ele, as 75 casas foram financiadas pela Cohapar e chegam a ser avaliadas em R$ 400 mil. ‘‘Foram construídas com o dinheiro do Fundo de Garantia (FGTS) do próprio povo. Não é justo que este investimento fique abandonado’’, reclamou.
Desde o ano passado o prefeito de Ibaiti, Roque Jorge Fadel (PTB), está em contato com a Secretaria da Habitação, onde defende a proposta de transformar o conjunto em vila rural. Mas não obteve resposta até o momento. As casas foram construídas para funcionários da usina de álcool Santa Laura, em 1981. Segundo o prefeito da época, Levy Rosa dos Santos, a prefeitura não teve participação na obra. ‘‘Foi uma construção particular, que deveria ser bancada pela própria usina’’, afirmou Santos. Segundo ele, as casas não chegaram a ser inauguradas e a usina faliu.
O gerente regional da Cohapar em Cornélio Procópio, João Carlos Bruno de Oliveira, informou que o caso está na justiça desde a época da falência da usina. ‘‘É uma dívida com mais de 100 empresas credoras e a Cohapar é uma delas. O nosso departamento jurídico não pode fazer nada, porque a ação não é só nossa’’, afirmou. Segundo Oliveira, a área toda da usina Santa Laura e a fazenda com 900 hectares constam nos processos como garantia.
Ocupantes de casas do conjunto não comentam como entraram no local. Eles enfrentam dificuldades com a água contaminada e o esgoto entupido. ‘‘Me disseram que a casa estava vazia e que poderia entrar com a minha família e estamos aqui até hoje’’, disse o servidor público Antônio Donizete do Nascimento, 40 anos. Ele mora no conjunto há 5 anos.
‘‘Estou aqui há um mês e meio e a casa estava totalmente abandonada. Fiz alguns reparos e agora vou ficar aqui’’, acrescentou o aposentado Leonardo Sebastião do Nascimento, 67 anos. O que os moradores temem são pessoas que vão ao local roubar materiais das casas. ‘‘Na semana passada levaram telhados inteiros de seis casas’’, informou Nascimento.
A dona de casa Márcia Oliveira Soares, 36 anos, disse que todos os seus familiares têm micose por causa da água contaminada. ‘‘Não tem o que fazer para passar a coceira e a dor. O médico já afirmou que é por causa da água’’.

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