Casas escondem perigo para crianças
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quarta-feira, 11 de setembro de 2002
Chiara Papali<BR>Reportagem Local 
A própria casa é o local mais perigoso para uma criança ser vítima de acidentes. A informação é do diretor clínico do Pronto Atendimento Infantil (PAI), Mohamad El Kadri. Segundo ele, afogamento, queimadura, quedas, ingestão de produtos tóxicos ou de corpos estranhos são os casos mais comuns e podem até causar mortes. Em Londrina, no último domingo, o menino Luiz Paulo Leão, de 3 anos, morreu carbonizado dentro do carro do pai estacionado no quintal. Anteontem, o menino T.E.S., de um ano e nove meses, caiu em uma máquina de lavar roupa (modelo tanque) e aspirou uma mistura de água, sabão em pó e alvejante. Seu estado de saúde é grave e ele permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Infantil, sedado e respirando com a ajuda de aparelhos.
De acordo com Mohamad El Kadri, cerca de 5% do atendimento realizado pelo PAI é de acidentes domésticos. É um número significativo, até porque os acidentes são de fácil prevenção e poderiam ser reduzidos a zero, afirmou.
Segundo o cirurgião-pediátrico Lúcio Marchese, o Hospital Universitário (HU) atende cerca de 100 casos de acidentes domésticos com crianças por mês. Um dos mais graves é a aspiração de objetos estranhos, que pode causar a morte em poucos minutos. Se o objeto obstruir a traquéia, a criança pode ter uma parada cardíaca por falta de respiração, explicou. Nestes casos, além de providenciar socorro imediato, os pais podem tentar empurrar o objeto com respiração boca a boca.
Marquese explica que há mais incidência de determinados tipos de acidentes de acordo com a faixa etária da criança. As quedas são mais comuns entre um e dois anos de idade, quando a criança começa a andar. Queimaduras em fogão acontecem principalmente com crianças de 2 a 4 anos, e queimaduras por causa de brincadeiras com fogo, em crianças de 7 a 12 anos. A ingestão ou aspiração de objetos estranhos é comum em crianças com um a dois anos, quando elas costumam colocar objetos na boca.
A recomendação dos dois especialistas para evitar os acidentes domésticos é a mesma: não deixar crianças sozinhas e dificultar o acesso a fatores de risco. Baldes, tanques e máquinas de lavar não devem ficar cheios de água, é melhor não ter produtos de limpeza e remédios devem ficar em um lugar alto e trancado, disse El Kadri.


