Pelo menos três casas localizadas na Rua Frederico Vivan, no Jardim Neman Sahyun (Zona Sul de Londrina) devem ser interditadas pela Defesa Civil nos próximos dias. A informação foi anunciada ontem aos moradores, depois que o Corpo de Bombeiros esteve no local e confirmou que residências estão alocadas em pontos críticos onde pode acontecer o desabamento de terras sobre as casas a qualquer momento. A análise dos bombeiros foi feita no final da tarde de quinta-feira e um relatório foi encaminhado à prefeitura solicitando providências.
O coordenador de operações da Defesa Civil, Rosalmir Moreira, disse que fiscais do órgão estiveram no local para uma ''rápida avaliação'' e constataram que realmente há riscos, mas que uma perícia técnica deveria ser feita ainda ontem para confirmar a interdição de pelo menos três casas. ''Foi constatado pelos fiscais que foi retirado uma grande quantidade de terra de um dos barrancos que fazem fundo com algumas casas. Pelo menos três casas estão sob um forte risco e provavelmente serão interditadas'', disse.
O pedreiro Jeferson do Nascimento, que mora numa das casas há seis anos com a mulher e um filho de 6 anos, teme que alguma tragédia possa acontecer. ''Eu não sei o que posso fazer, mas vou me juntar com os outros moradores para entrar com um processo contra a loteadora que nos vendeu esse terreno. Se eu tiver que sair daqui correndo, não tenho para onde ir'', lamentou.
Ontem pela manhã, a promotora de Defesa do Meio Ambiente, Solange Vicentin, e advogados da ONG Meio Ambiente Equilibrado (MAE), estiveram no local para acompanhar o caso e verificar a situação dos moradores. A ação dos moradores contra a loteadora deve tramitar em paralelo com uma ação civil pública promovida, desde 2003, pela ONG com o objetivo de indenizar os moradores e o meio ambiente de várzeas e áreas de alagamento do Córrego Roseira fossem recuperados. Segundo a ONG, a loteadora vendeu terrenos sob água e em áreas não permitidas, de preservação ambiental.
O advogado da ONG, Carlos Levy, disse que a área conta com 950 lotes, destes, pelo menos 150 foram embargados. ''Na época que a ONG entrou com a ação, havia apenas duas casas construídas na região, hoje já existem 17. Se não houvesse a intervenção da ONG aqui estaria cheio de casas construídas em áreas irregulares'', disse.

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